citações e confissões

Emergência: o confessional e a paixão. Inválida saudável apaixonada busco o terceiro olho, a terceira perna, e encontro a citação. Neste ou aquele autor, ou livro. A motivação pode não ser interna: escarafuncho estudo. Nem sempre a experiência, ou a bagagem permite que eu reconheça o caminho, a pessoa. Perco forças na jornada: desconfio, estremeço, volto atrás enquanto tento. Não completo o círculo. Descrever e contar o que fiz, como fiz é uma das metas. Atravesso venço a correnteza do rio e reconheço o valor da missão.  Das balsas humanizadas para o concreto engenhoso da ponte. Cartas, papel, pequenas ou importantes referências, escritos fragmentados: material de construção. Paciência, trabalho braçal, sem escapar da espera escorregadia. Se a cada encontro, a cada palavra trocada, se a cada olhar posso guardar a permanência estarei exercendo o poder de trazer de volta o tempo. E volto a rua Vítor Hugo, em Petrópolis, vou até a André Poente, percorro o apartamento do Edifício Esplanada, entro no Instituto Nossa Senhora das Graças. Vejo as Madres, as Cônegas de Santo Agostinho. Estou na quermesse querendo ser a premiada com a boneca e o enxoval. Volto a dançar no Country Club. Estou no meu primeiro baile, nas colunas do jornalista Luis Augusto, nas festas. Vestidos rendados, bordados e longos. Depois vou ao Rio de Janeiro, e me deixo ficar … Também Montevidéu, também Búzios, São Paulo, e também amor. Revisito cada pedaço com paixão e encantamento. Viúva Lacerda no Humaitá, Carangola em Petrópolis, embalo os filhos na Casa de Saúde São José. Abraço beijo a pequena porto-alegrense, a mais nova. Vou a Rio Pardo, a Santa Cruz do Sul.  Ovelha, charolês, açude, arroz, estrada de chão e Santa Branca. O gosto dos carros,  da velocidade, da energia, das escolas, do trabalho …, a vitalidade. Reinventado. Reescrever o monólogo. Inovar, nunca tomar chimarrão, café preto. Reler a história na estória. Conversar com objetos e com nostálgicas lembranças no concreto do papel.

Encontro meu eu contigo, o mesmo olhar. Passado passado. Importa hoje, agora, tua voz …, o que me escreves. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2018 – Torres

“Em seus diários, Kierkegaard escreveu que o temor é uma atração, e ele está certo. O temor é uma sedução, e eu podia sentir que me puxava, mas por quê? O que eu tinha de fato visto ou ouvido que havia criado essa discreta embora definitiva atração em mim? A percepção nunca é passiva. Não somos apenas receptores do mundo; somos também seus seus produtores ativos. Existe algo de alucinatório em toda  percepção, e as ilusões são criadas com facilidade, até mesmo você Caro Leitor, pode ser facilmente persuadido que seu braço é de borracha por um neurologista charmoso com alguns truques na manga ou nos bolsos do jaleco branco. Precisei me perguntar se a minha circunstância, minha própria p a u s a indesejada da vida r e a l, se meu próprio estado pós-psicótico não teria me afetado de um modo de que eu não me dava conta e não podia prever. (p.71) Siri Hustveat  O verão sem homens Companhia das Letras – 2013 – Primeira Edição

dia do casamento com GERALDOOOOO rasgada

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