sem te beijar

 

[…],”lembrar-se com prazer de alguns encontros marcantes, exultar secretamente quando algo acontece exatamente como havíamos previsto, atender ao telefone e escutar tua voz, achar que o tempo esfriou demais e que poderíamos até vestir um casaco de lã, olhar tua foto menino e rir outra vez, surpreender-se com a juventude das pessoas a sua volta e ter aulas com um(a) professor(a) de informática de 25 anos, colar meus lábios nos teus sem te beijar, emocionar-se porque sua mãe sempre dizia ter uma cabeça de 20 anos e seu pai não a reconhecia mais, sentir a dor desaparecer lentamente quando a morfina penetra o corpo, dormir oito horas de sono e acordar pensando em  ti, gostar de vozes graves ou hesitantes ou bem – postadas ou veladas ou calorosas ou risonhas ou suaves e conceder um físico e uma idade eterna a cada uma delas, escutar os teus medos escondidos nos meus medos, ferver por dentro diate da estupidez feliz, da covardia ou da maldade de certas pessoas, convidar-te pela milésima vez a ir ao cinema e ouvir a tua recusa, encontrar, de repente, a solução de um problema que atazanava a paciência havia muito tempo, colher margaridas crisântemos escabelados hortênsias e rosas, escutar silenciosa o dedilhar do teu violão, receber um presente que te agrada em cheio ou um sinal de amizade ou cartão-postal, ter e guardar segredos, ter uma imaginação fértil, desfrutar de um clima agradável …” (p.26 – 82) Françoise Héritier – O Sal da Vida / O que faz a vida VALER A PENA – Editora Valentina Rio de Janeiro – 2013

“Trata-se, pura e simplesmente, da maneira de fazer de cada episódio da sua vida um tesouro de beleza e graça, que aumenta sem parar, sozinho, e nos renova a cada dia.”

O ‘eu’ não é somente aquele que pensa e que faz, mas aquele que sente e experimenta, segundo as leis, uma energia interna subjacente, incessantemente renovada. Se fosse totalmente desprovido de curiosidade, de empatia, de desejo, da capacidade de sentir aflição e prazer, o que seria esse ‘eu’ que, além do mais, pensa, fala e age?

“O mundo existe por meio dos nossos sentidos, antes de existir de maneira ordenada no nosso pensamento, e temos de fazer de tudo para conservar, ao longo da vida, essa faculdade criadora dos sentidos: ver, ouvir, observar, entender, tocar, admirar, acariciar, sentir, cheirar, saborear, ter ‘gosto’ por tudo, por todos, pelo próximo, enfim PELA VIDA.

 

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