sentido de sentir

Dia sem sentido, sentido de sentir. Um nada. O eco amigo de um amigo me acorda da sonolência de dia inteiro …

Reagir. Não há sono nem quietude que resolva. Sequer uma voz. Nada. O estranho do sentimento é que pipoca de um lado para outro inquieto a espera do aceno para mudar. Está certa Simone quando explicita que sofremos mais por não ter quem amar do que não ser amado. Sinto saudade de um amigo em especial. Paulo Hecker Filho. Quando decidimos nos corresponder dado o meu intenso interesse por missivas começamos a nos escrever mesmo morando ambos em Porto Alegre. Muitas vezes ele foi numa caminhada (da Cidade Baixa até a Independência) postar a carta na CAIXA de CORRESPONDÊNCIA do meu edifício. Antônio Carlos Resende, amigo comum, nos desafiava a um cafezinho. Não aconteceu. Nesta minha dispersiva arrumação e sonolência, resolvo alimentar o Amoras -, não posso negligenciar. E.M.B. Mattos – maio de 2018 – não exatamente bem. Triste, sem um pedaço. Um dia não muito bom, mas apenas mais um dia. Logo tudo fica com cheiro de terra molhada, prazer e carne de panela. Vinho. E sou outra vez feliz.

Releio uma carta de 1999 de Paulo Hecker Filho …, o sentimento, digo /eu explico depois:

“ P.Alegre, 24 de junho de 1999.

Beth:

Que carta. Tão comprida como fluente e às vezes muito bem escrita. Eis – te escritora, e há horas. Só falta um tema que galvanize os parágrafos. Apressada, queres ficar falando logo ao terapeuta. E com esta fluência, aposto que será esse a pedir alta.

O conto está bem, mas sem conflito, drama, mais crônica, e é um lugar comum no Rio a vista do Corcovado. O Cristo inclusive foi posto no alto daquele morro para ser visto praticamente de toda a cidade.

Gosto de Torres e provavelmente ainda mais fora da temporada. Mas é calma demais para dialogar com a tua trepidação (o terapeuta diria dependência). Ao mesmo tempo serve para te acalmar, joga nessa carta, tira paz torrense, não veleidades de se mandar de vez. Esta paz estabiliza. Sem ela, de onde tirar a energia para uma carta de treze páginas? […]  

Aposta nessa outra carta: Beth é que é feliz. E não? Bonita, vivida, capaz de escrever e até da coragem de pensar em deixar de pintar o cabelo um dia. E bem que nunca o farás porque para louco baste eu. Paulo

1 de maio de 2018 PAULOHECKER FILHO

A explicação: devo ao Paulo ao Oswaldo ao Fernando ao José ao Celso um trabalho sério.

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