virada da vida

A vida na virada, e eu me repito. Perdoa. Susto e abandono, depois reencontro, depois outro nada. O que muda? Olhar. Mérito. Diferença de soluço. Posso abrir qualquer livro lido: Canetti, Kafka, Pamuk, Conrad, Tcekhov, Zweig, Camus, Proust, Manuel Bandeira. Lispector. Sábato. O amor se traslada, e nada importa, ou importa, não sei. O sentimento sentido volta porque estamos vulneráveis. Onde se encontra a revolta? No coração desocupado. Estamos todos nas nuvens, aparentemente seguros, mas doloridos. Fico a pensar se a idade interfere nesta insegurança pacífica de apenas esperar o impossível. E o que é, exatamente, impossível? Não sei. Dramático esvaziamento. De repente desaparece o importante. …, a vida segue. Temos que estar atentos a qualquer movimento, porque o que é deixa de ser. O impossível se apresenta prosaico. Então volto a me vestir de letras e a envelhecer. Eu te digo: Não apenas a minha perda importa, a tua me acompanha. Queria que fosse diferente. Queria ousar, mas me sinto impotente, não consigo chegar. Beth Mattos – maio de 2018 – Torres

2 comentários sobre “virada da vida

    • Exatamente. Parece que a vida estaciona, e … e nada mais acontece. Uma certa angustia da mesmice se instala, e do vazio que engole. Sim, precisamos de desafios. Precisamos reagir. Então … há que buscar coragem. E caminhar, remar, não podemos depositar as armas, e parar, nos imobilizar. No entanto precisamos também respirar, tomar fôlego, estabelecer limites. E fortalecer o que temos de nosso.

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