o beijo se esconde

Torres depois da chuva, abençoada água: lavou, refrescou. A água bate forte. Janelas sacodem acompanhando o vento. Cortinas levantam o ar gelado. As pálpebras descem pesadas. O corpo cai no sono inteiro. Respiração solta.

Mar cinzento, ondas altas escondem azul verde de ontem. A lua  escondida na nuvem. Lá onde o beijo se esconde. O corpo conversa no desejo: beijo demorado colado manso: tudo lento muito lento. Estou apertada encolhida. Sinto o cheiro do corpo dele. O suor me afoga.

Vestindo as roupas devagar já nos vamos despindo um do outro.

O silêncio enche o quarto. Não há leitura preguiçosa nem sono de entrega, ou desordem. Gosto de café preto sem açúcar. Esterilizado sentimento. Despedida, não começo. É consolo. Apago a palavra. Também o sonho. O grito se dilui no rio pelo mar pelas trilhas nas coxilhas. Envelheço do prazer do beijo do abraço do corpo cansado colado.  Elizabeth MB Mattos – Torres maio de 2018

 

 

 

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