Aventura suficiente

O dia inicia com chuva. Tranca-se a porta, fecha-se a janela. Logo, abre-se ao sol, ao suor. As horas riem umas das outras. Ontem o fenômeno: ventos furiosos. Granito. Destelham, afogam, e hoje já o dito tempo se abre ensolarado, irônico. Gigante universo de nuvens: enormes. Brancas depois o preto no azul.  Ausência e presença. O livro é igual. Qual é a guerra mais eficiente? A cada boa linha, nova suspeita. Debate intenso violento. Acorda. Esmurra. Entristece, não vitaliza. O Jantar Herman Koch é assim, incompreensível, como o dia. Como a insistência de correr, de parar, de estar perto e longe. Amar num momento, desprezar no outro. Apaixonar-se pela luz do olhar e modificar-se, apaziguar-se. Adoecer. Adoecer porque dói a dor de não ser tudo. Ser inteiro! O mundo está ao contrário, ao teu contrário, ao teu avesso. Vamos costurar estes livros. Lançamentos perdidos, esgotados, uns sobre os outros, a se contradizerem! Guerra de futilidades, de exigências, cicatrizes, internas. E risadas de escárnio! Bolsos recheados de injúrias! Afirmar que sou assim, ou daquele outro jeito, exijo isso ou aquilo? Não leiam O Jantar de Herman Koch. Aliás! Parem de ler! Não leiam nada, olhem as fotos. As fotos. Ou fiquem apenas olhando, pela janela, o tempo acaba passando mesmo. Olhar já é aventura suficiente. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2018 – Torres (repetido, já editado)

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