desnudar despir e ser sem medo porque sou assim mesmo

Ser o que somos por dentro, … desejar sempre por inteiro. Rir na hora de rir. Cozinhar ou limpar. Embalar os bebês. Ter filhos. Amar animais e sorrir. Dar uma gargalhada. Chorar com lágrimas por dentro e por fora. Enternecer, fazer amor e amar o amor e falar de amor sem nada saber.  Ser natural. Andar de meias de lã pela casa. Ter camisola de flanela e ficar o dia inteiro, assim, nos pijamas.  No verão camisola de alças. Nada apertado. Ter cabelos compridos até envelhecer, e trançar. Andar de pés descalços. Poder lavar o rosto sem maquiagem, ser perfumada. Colocar batom e ficar mais bonita. Usar brincos e colar de pérolas.  Beleza importa, mas nem tanto! Alegria mais. Tomar muitos, muitos, banhos durante o dia e antes de dormir, um estupidamente quente e outro ao amanhecer e voltar para a cama. Usar no mínimo cinco travesseiros. Lençóis de algodão passados, e com milhões de fios. Nunca cetim. Beber café preto e comer pão com manteiga. Gosto de pastel, sonho e camarão e berinjela e carne de panela. Ler em voz alta para a filha, para o amigo, para o amado, ou para o neto. Conversar até cansar e enfiar um assunto no outro sem sentindo e ninguém reparar. Exaustão e envelhecer descartei ( sorrindo). Entender o que o outro diz. Não entender porque foi embora sem se despedir.  Rir.  Brigar. Implicar. Ter amigos e amar todos com desejo, e também distância. Não ter proibições e assim mesmo obedecer. Assustar e aproximar. Colocar as mãos na terra. Cavar. Plantar e molhar. Ter flores nos vasos. Perfume na casa. Ter um cachorro, ou um gato. Nunca pássaros em gaiolas. Tapetes fofos e limpos. Poder caminhar sem roupa pela casa. Ter as janelas abertas e sentir a maresia entrando, … ficar arrependida. Caminhar na praia. Nas calçadas. Caminhar, caminhar. Nunca fazer exercício aeróbico ou querer ser mais bonita do que se é. Não ficar doente. Morrer fechando os olhos sem estardalhaço. Não morrer é melhor. Gostar de massagem. De comida italiana e vinho tinto encorpado. Nenhuma bebida doce. Sucos de todas as frutas. Água. Mar e serra, campo e sol. Lareira com fogo. Se encolher nas cobertas. Amanhecer no dia. Noite com estrela ou noite chegando, entardecer. Estar viva. Ser beijada na hora certa com o amor certo. Deixar ir para sentir saudade. Dormir a qualquer hora. Acordar no meio da noite para namorar. Ter filhos. E abraçar estes bebês. Escrever, escrever, escrever sem saber o porquê, e sempre. Encerar e fazer brilhar o chão. Sentir o cheiro do mato. Fazer amor de manhã cedo com o corpo aberto para o prazer. Ter água por perto. Rio ou mar ou lago ou lagoa, nunca piscina. Gramados. Cheiro de terra. Um abraço inesperado, uma voz desconhecida. Uma palavra gentil. Sentir medo. Chorar. Poder sair tantas vezes que tiver vontade para poder voltar. Comer laranjas e bergamotas, morangos e maçãs. Mamão com limão. Falar francês. Entender espanhol. Viajar na imaginação. Lamentar não ter ido a Itália nem conhecer Nova York nem a Noruega, nem Londres, nem o Brasil. Andar de navio. Ir a Buenos Aires. Fazer tricô. Bordar florzinha amontoada nos jeans rasgados. Ter filhos e ter cães. Ser livre e rir. Ser alegre e triste. Sentir saudade de amor. Não morrer. Viver para sempre. Descobrir. Fazer amigos. Chorar porque eles se foram. Esquecer. Amar outra vez. Escrever. Apagar. Se surpreender. Ler livros muitos livros. Ir ao cinema, ao teatro. Fechar as janelas. Sopa de ervilhas com pedacinhos de pão tostados na manteiga. Dançar. Escutar o piano e ser invadida. Comer frango assado com as mãos. Rock e futebol: ver jogos, torcer, gritar e dormir exausta. Fazer amor devagar, sentir o corpo, o olhar e então ficar apaixonada pela paixão de ser dois. Esquecer. Estar viva. Banho quente. Banho frio. Não morrer, não te esquecer. Espiar o amor chegando, dar as mãos, sorrir um para outro. Baixar os olhos. Ir ao encontro. Não ter medo de errar nem de sofrer nem de chorar nem de chegar. Nunca atender ao telefone. Escutar ele tocar. Escutar música todos os dias. Qualquer música. Ligar o rádio. Receber cartas. Fechar bem a porta. Estar feliz e alegre. Não saber o que acontece no mundo. Ter os filhos por perto. Ter netos. Ter amigos. Ser alegre. Rir. Eu já disse. E chorar quando rejeitada, empurrada, esquecida. Intimidade num repente. Ser arredia e vulnerável. Descoberta e desejada. Preguiçosa e distraída. Sentir o verão e o inverno. Não morrer. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2018 – Torres

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Valentina

Joana e Valentina

Joana e Valentina

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Joana na casa de Santa Cruz do Sul

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Foto de Ana Maria Vianna Moog em junho de 2018 – Torres

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Mas, minha querida, talvez a questão seja justamente esta: não é para ter enredo nenhum, porque não existem mais enredos; os filmes, tal como a pintura, segundo você, ou segundo o A., foram obrigados a parar de contar histórias. […] Uma história pressupõe um autor, que manipula os personagens lá do alto, que manipula a nós lá do alto, com algum objetivo moralmente inteligível, e ninguém acreditava mais nisso, depois do Holocausto, da bomba atômica …” (p.247)  Jonh Uodike  Busca o meu rosto

…, e tem o livro da francesa que já citei no Amoras e não estou encontrando agora O sal da VIDA o que faz a vida … valer a pena. É o título que FRANÇOISE HÉRITIER dá ao seu livro. Ela sugere que todos façam suas listas e se libertem … muito bom de fazer, pode ser mais completa. Estou a me lembrar de várias coisas que não escrevi. Dormir sem sonhos. Sonhar acordada. Desejar.  Esquecer. Dançar. Pensar e pensar e pensar. Acreditar.

Françoise Héritier, 1933, antropóloga e etnóloga. Obra: Deux soeurs et leur mère e Masculin/ Féminan, é professora honorária do Collège de France, onde dirigiu o Laboratório de antropologia Social ( criando a cátedra de estudos Comparados das Sociedades africanas) sucedeu Claude Lévi-Strauss ( a pedido do próprio).

O SAL DA VIDA foi publicado, entre outros países , na Alemanha, Inglaterra, Japão, Portugal, Espanha, Itália ( onde, assim como na França, se tornou best-seller).

 

 

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