ALTER EGO

Foi acontecendo sem alarme, como tudo o que vale a pena, como qualquer mudança revolucionária porque simples, inconcebível antes de acontecer. Foi assim que eu me apaixonei por você. Não tenho explicação possível. Entrei nas divagações. Não voltei aos seus quatorze anos, ou aos meus dezessete ou vinte anos. Afundei apaixonada neste agosto, ou julho, ou foi março, ou fevereiro de 2018.  Equívocos no estar e não estar, na palavra. E você se esquivou assustado. Gesto de perpétua tensão interior, olhar sem enxergar. E eu? Sigo escrevendo. Coisas minhas. Estou no meio dos papéis, olho para os lápis apontados, e todos os diários com datas misturadas, desordenados. Acha graça!? Ao abrir verá neles, datas de 1999, 1987 e 2000 ou 2018 misturadas. Inquieto? Não, fica sossegado. É que eu tenho um alter ego que me manda escrever. Esquizofrenia -, amar o amor, mas controlada. Você delega a outro que lhe conte o que acontece com você mesmo, e esse outro, que também é você, olha tudo de fora. Depois, quando vai ver, ele já se separou de você e acaba tendo existência própria. Foi o que aconteceu com Álvaro de Campos e Alberto Caeiro. Entre mim e o mundo uma névoa que me impede de ver as coisas como verdadeiramente o são: como são para os outros. Não pondero, sonho. Não estou inspirada, deliro … Ricardo Reis. Era esse o nome do terceiro heterônimo, acabei de me lembrar! Elizabeth. M.B. Mattos – 29 de agosto de 2018 – Torres, primeiro dia da Lattoog em São Paulo – Alameda Gabriel Monteiro da Silva

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Um segredo muito simples: o amor. Tudo o que nos fascina no mundo inanimado, os bosques, as planícies, os rios, as montanhas, os mares, os vales, as estepes, e mais e mais, as cidades, os edifícios, as pedras, ainda mais, o céu, o pôr-do-sol, as tempestades, e muito mais, a neve, a noite, as estrelas, o vento, todas essas coisas, em si vazias e indiferentes, enchem – se de significado humano porque, sem que o suspeitemos, contêm um pressentimento de amor.” (p.127) Dino Buzzati – UM AMOR, tradução de Tizziana Giorgini

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