Beijo. Beijo estou devendo, estás devendo. ‘Já se perdeu’. Não faz sentido. Não tem gosto, nem mais boca…, nem memória no desejo. Esfumado beijo. Traço, mentalmente, o equívoco da história de uma foto de menino que me encantou. Risonho, alegre. E agora no livro OS ENAMORAMENTOS de Javier Marías imagino.

“Olhava para seus lábios enquanto ele perorava, olhava para eles fixamente e tempo que descaradamente, me deixava acalentar por suas palavras e não podia desviar os olhos do lugar por onde saiam, como se todo ele fosse boca beijável, dela procede a abundância, dela surge quase tudo, o que nos persuade e o que nos seduz, e o que nos faz mudar de ideia e o que nos encanta, e o que nos suga e o que nos convence.’Do que há em abundância no coração, fala a boca’. […] Fiquei perplexa ao verificar quanto aquele homem que eu mal conhecia me agradava e me fascinava […] a gente acha que o que nos apaixona todo mundo deveria desejar. […] tudo que provinha daqueles lábios me interessava,'” (p.115)
Presa no mesmo livro, logo passarei para outro, e será Francisco Brennand. Irei antes de São Paulo, antes do Rio, antes de mais nada, passar vinte dias em Recife, preciso. Estupidamente resumi o livro a um beijo. Ou a tua lembrança, uma foto. E sendo um dos melhores, parece que desaprendi a ler e entender, mergulho, afundo. O livro se transformou num objeto erótico.
… bem, igual. Quero te contar o singelo desencontro e a importância da conexão que se arrasta linda / pura / inteira / e por que não contaria, meu amigo? Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2018 – Torres

