os mesmos

A cada amanhecer sou outra és outro e tão os mesmos! Ontem talvez ainda hoje um vento ruim … e, na calçada a delícia desta temperatura de primavera que abraça. Ainda sinto frio, mas pelas narinas um cheiro do verão que se avizinha. Escuro ainda, mas tem luz no céu. Vida carregada destes contrastes que um EU, que és TU, que sou eu, desenha e modela nossas representações. Este particular olhar é o mundo ele mesmo, esquisito isso de saber tantos mundos filtrados por um único olhar. Um único olhar um único mundo e plural. E igual. Igual porque me atravessa uma dor / um rasgado / um aperto, e eu não consigo mudar. Eu sou apenas eu neste momento aflito angustiado a se tomar de inquietude. Tanto para te dizer e tanta trava! E aquele desejo primitivo de quebrar tudo … ao menos um prato um copo um arremesso ou um mergulho. Uma onda depois de outra onda, outra. Cansar, cansar. Exaurir. Esquecer …, para lembrar tudo aos poucos com  cuidado, devagar. Saudade de casa de pai e de mãe. Deitar na minha cama de sempre. Entrar naquele quarto seguro e silencioso de ser menina. Saudade , – palavra esquisita estranhada. Abusada. Acho que um dos significados desconhecidos dela pode ser medo. Pavor do agora, do hoje, então queremos voltar no tempo, e nos agarramos nas beiradas do passado. Olhamos para o que poderia ter sido e não foi, ou … até existiu e queremos voltar, outra chance. A loucura de saber que tem ponto final. Pode ser amanhã. E tão pouco depende de cada um! Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2018

Fernando José Valente De Senna Júnior Sempre um talvez… poderoso. Mas mais adiante um momento inesperado. Como daqui a pouco. Abrir a janela e se surpreender que há um mundo tão nosso. E tão distante de onde já esteve. Translação, rotação. O sol seguindo sua rota em volta da galáxia. Nos arrastando como um cavalinho de carrossel que já não existem mais. E a própria Via Láctea em rumo a um infinito. É. Daqui a pouco vamos abrir a janela e ver o mundo em outro lugar no Universo. E, no entanto, tão eu como tu no momento. Daqui a pouco. Abrir a janela…

2 comentários sobre “os mesmos

  1. Oh amiga! Gentil emoção em ver/ler que me compartilha aqui. Alma generosa. Agora abri está janela. Hoje. Já tão longe de antes. E tão aqui.

  2. ” Hoje. Já tão longe de antes. E tão aqui.” Fernando José Valente de Senna Júnior -, um poema. Se morássemos mais perto, certo, faríamos um livo de conversa … Muito bom seria. Agradeço teu carinho, atenção!

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