PAULO HECKER FILHO de Celestina…

Com paixão de apaixonado abro o pacote. Amontoada na cama começo a ler. Quero engolir o livro. O prazer  atordoa. Leio, leio rápido.

Cisnes selvagens pela metade. Homem sem qualidades iniciado: indisciplina. Ansiosa para falar contigo. Pegar o telefone e perguntar. As respostas já tenho. Delírio meu.  Paulo apenas mandou um presente, e não se fez presente.  Abraço risonho.

Estou a te escrever. Boa tradução de Celestina, devolves alma ao livro.

Quero o mundo, quero sol. Calor da chuva. Choramingo desilusões desencontros.  Quero dizer tantas coisas! Quero remexer neste baú, misturar tudo, acordar tudo, e  viver.

“[…] porque viver vai além da cultura e é o que temos de fazer imediatamente. Há Deus no céu, conceda-se, mas por aqui cada um anda atrás de seus interesses, sem maiores contemplações com conceitos ou com os outros. ” (p.39)  […] Três horas da manhã. Risada, avidez, desordem ou ordem. Na cama  um telefone, embaixo do travesseiro. Lápis bloco, meu caderno vermelho, um prospecto,. Livros em leitura.  Casaco com furo,  guardei do meu pai. Travesseiros, controles de televisão: tudo na cama, e eu. Desordem.

Do espírito zeloso, amigo, eu recebo num golpe só — de volta –, num impacto a pieguice. Loucura ingênua de paixão obstinada que me obceca, imbeciliza: vou sair deste lugar. A leitura prossegue fácil, revela. Irônica verdadeira,  e simples. Louca eu sou …, continuo lendo metida no livro.. Enxergo mais do que vejo: desperto. No susto amadureço. Sucumbo ao feitiço: quero de volta a juventude: conversar e comprar uma Celestina, a mágica. Quero tudo de volta. Sinto raiva de mim mesma, de todos, do mundo, droga! O ópio de chineses.

Droga! Leio em voz alta, decoro. Estudo e repasso os ditos populares, sábios: “Bem, Palermo, deixa para outra ocasião. Avisaste e eu te agradeço.[4] Vou ler, vou tentar dormir, vou escrever. Vou pensar. Obrigada meu querido, amanhã te escrevo mais. Elizabeth M.B. Mattos

[1] Chang, Jung. Cisnes selvagens: três filhas da China. São Paulo: Companhia das Letras.1994.

[2] Robert Musil. O Homem sem Qualidade

[3] A Celestina, Fernando de Rojas. Tradução Paulo Hecker Filho.

[4]  A Celestina, Fernando de Rojas

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