suicídio

É verdade. Tenho que tentar, mas parece suicídio. Que seja, ainda tenho tempo para morrer, e para dizer. Desespero porque não encontro solução. Sim, hei de encontrar. Palavras como encaixes aleatórios, sem sentido, ou todos os sentidos esquisitos e brutais. Lá vai a perfeição distraída nestas Cartas Exemplares de GUSTAVE FLAUBERT,  Beth Mattos – janeiro de 2019

“106. A Mme Maurice Schlésinger 

Paris,

14 de janeiro, 1857

[…] Agora irei retomar minha pobre vida tão monótona e tranquila, em que as frases são aventuras e em que não se recolhem outras flores a não ser as metáforas. Escreverei, como no passado, pelo único prazer de escrever, para mim só, sem qualquer interesse em dinheiro ou em fazer barulho. Apolo, sem dúvida, me acolherá e chegarei um dia talvez a produzir algo belo! pois tudo cede, não é verdade, à persistência de um sentimento enérgico. Cada sonho acaba por encontrar sua forma; há água para todas as sedes, amor para todos os corações. E depois nada faz a vida passar melhor que a preocupação incessante com uma ideia, com um ideal, como dizem as  cocotas… Loucura por loucura,fiquemos com as mais nobres. Já que não podemos arrancar o sol, é preciso fechar todas nossas janelas e acender os lustres em nosso quarto.” (p.165)

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