tempo de tanto tempo

Levantei para escrever um segundo, uma frase, preciso me apressar neste tempo. Simone de Beauvoir, em Mulher Desiludia: “Em minha idade temos hábitos que freiam a invenção. Cada ano que passa fico mais ignorante.”(p.11) E cada dia fico mais inquieta, vaga, caminho em lapsos de alegrias ou soluções, ou me interrompo com nostalgia apertada. Ora o campo, ora a cidade ou ainda a beira do mar. Hoje a foto da rua José Picoral devolveu serena lembrança! Tempo de tanto tempo! O prazer devolve questões existenciais:

“- Evidentemente, como você vive para os outros, vive também por eles  – disse- me. – Mas o amor, a amizade, é isso: uma espécie de simbiose.

–  Mas, para alguém que recusaria a simbiose, seria pesada?

–  Nós pesamos para as pessoas que não nos querem quando as queremos, é uma questão de  situação, não de caráter.”(p.125)

Jogo incômodo de ser/estar/ficar sob a mira de um amor amado, de uma amizade ferida. Das questões. Perguntas. depois de uma certa idade, passados vinte anos, depois de termos perdido o encontro…, não faz mais sentido voltar. Eu deveria ter aprendido inglês, deveria, mas não sei, não era importante. Amanhã vou estudar. “A pavorosa descida ao fundo da tristeza!” (p.126) Amanhã. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2019

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