envergonhada

Dançar. Embalar o corpo. Alegria a transbordar. Onda, mar. Redesenho sensações. Intensas. Nome, cheiro e vontade se misturam. Danço no volume possível as canções: atordoada juventude.  A FUGITIVA de Marcel Proust aparece exibida, nas páginas uma carta perdida cheia de voltas, certeira. Sou eu. Voltas, fugas, amor de te amar! Caminho e, depois, recuo. Posso definir? Somos passagem? Aperta o nó. Estranhamento ou loucura? Certo bom perfeito adolescer… -, no envelhecer, no perdido ou no achado, brindar! Nada fácil o amor: a pessoa ama o amor do outro no amor do que nomina amor. Sem medida: ciúme e amor feito onda que leva/carrega ao fundo, e me despedaça na areia. Sem roupa, envergonhada, estupefata. Sou perdoado pelo recuo, avanço, surpreendo, desespero no amor desta saudade. A surpresa me surpreende. Elizabeth M.B. Mattos

E, talvez, uma das causas de nossas perpétuas decepções amorosas esteja nesses perpétuos desvios que fazem com que, à espera de ser ideal a quem amamos, cada encontro nos traga uma pessoa de carne e osso que já contém tão pouco de nosso sonho. […] E, todavia, ‘amor’, ‘ser amado’, suas cartas, são talvez, em resumo, traduções – por mais insatisfatório que seja passar de uma para outra – da mesma realidade, pois esta carta só nos parece insuficiente quando a lemos, mas nos faz suar frio enquanto não chega, e basta para acalmar a nossa angústia, quando não para saciar, com seus sinaizinhos negros, o nosso desejo, que percebe só existir ali, apesar de tudo, a equivalência de uma palavra, um sorriso, de um beijo, e não essas própria coisas. De resto, cada vez que relia essa carta, achava – a diferente. Lembrando o quanto ela me fora enganosa, palavras encantadoras ali me feriam, e só agora o percebia. E dessa última leitura, a lembrança presunçosa que eu guardava desaparecia quando a lia outra vez. Assim todas as coisas se mantêm distintamente, conforme as ilumine a aurora, ou a chama da lareira, ou o abajur violeta da tempestade, ou o inumerável cristal embaciado do aguaceiro. ” (p.51) Marcel Proust Albertina Desaparecida a versão de A Fugitiva alterada pelo próprio Proust – inédita até 1986

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