violeta e mar

Escrevo frente ao mar: cinzento e tranquilo. Sinto o cheio que entra pela fresta da janela. Logo vou caminhar, preciso amar meu corpo – parte da terapia. Escrevo este bilhete com a minha preciosa caneta-tinteiro, ficas mais perto… E me sinto, então, elegante (se é que isso importa -, sentir ou ser?). Ser é o verbo, a ponte certa. Horrível o que acontece no momento: choque ideológico, juros estratosféricos: comprei os jornais depois de termos assistido na televisão as notícias. Assustados, não impassíveis… Lembrei Hiroshima, o amor, não a explosão. Prepotência do poder: o que escrever? Neste momento, recolhimento, certeza de que não é este o mundo que queremos para nossos filhos, nossos netos.

Estou te gostando. Sem vontade de abrir o computador para trabalhar. Aproveito o silêncio da casa, eu a minha desordem… Terminar de arrumar as gavetas e os pacotes para o Natal, guardar os vestígios do tumultuado fim de semana, emoções juvenis, carências afetivas, da saudade de amor. Tua presença e a festa. Egoisticamente prolongo e curto as horas matinais, minhas. Amanhã vem a moça polir limpar e me ajudar, ah! Se eu conseguisse fazer sozinha, faria.  Gosto de ter a casa só para mim! L. ligou e conversamos. Eu me senti feliz com o feliz da voz dela. A distância, reforço de amor, também pode ser assim… Eu estou te gostando, ser feliz no amor, tão bom!

Pausa

Reli o que te escrevi…, perdi a voz, vou voltar aos diários e escrevo para nós dois, outra vez. Se não for a carta para correio, leremos juntos, entre lençóis…

Perdoa o tanto que te chamei ao telefone hoje de manhã: inquietude amorosa por não estar ao alcance da tua mão, do teu beijo. Ao mesmo tempo valorizo os espaços: a galeria e a casa. Sei que necessitamos deste equilíbrio para seguirmos, o trabalho nos salva. Eu que me digo introspectiva e silenciosa! Converso com o mar com os livros, mas me apresso contigo, ansiosa…

É a saudade da fazenda e do silêncio verde. Dança das plantas. Cheiro de terra…agora, o mar. Reviravolta. Cheiro de tinta. Cheiro-perfume. Eu te percebo/sinto/entendo que me percebes/sentes por inteira quando insistes que eu caminhe junto ao mar todos os dias… E sublinhas o lentamente, devagar. E eu me embalo nas tuas palavras e no cheiro do amor. Seria bom se eu aprendesse a nadar: adoro a água! Escrevo mansamente, sem susto. Estás a me olhar! E pronta para aconchegar meu corpo no teu. Volta logo.

Quero o teu retrato…não esquece. É a menina quem escreve. Vou te mandar uma violeta do meu vaso para colocares dentro do livro, e eu penso

Rádio – som – imagem – sonhos – casa e tu. Tu és querido! Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2019 – Torres

 

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