infatigável generosidade

Interminável, sem ponto final a leitura (qualquer leitura, qualquer resposta ou pergunta), interminável! Escavar esburacar arrancar, complicado! Difícil escrever. Esforço grande! Tropeço no tempo, no esvaziamento, ou me desespero nas vozes. No dentista. Comprando frutas, voltando da farmácia, escolhendo camisetas, procurando o algodão nas camisolas, recolhendo as roupas espalhadas, passando o café no velho coador. Um esforço. Não escrevo. Complicadas escolhas! Vontade de ficar na rede da  sacada sentindo o mar lá longe!… lagartear ao sol, ou plantar margaridas, cortar  sonhos e  aquietar o mundo. Tanta turbulência! E volto ao beijo ao abraço ao sussurro, ao olhar do amado… Converso na conversa com Amós Oz e Shira Hadad, Do que é feita a maçã? Do que é feito o amor ou o sexo, ou o desejo. Tu me inquietas. Atrás das leituras a tua voz e o teu silêncio. Será que tinhas uma maldição para me presentear? Hoje eu me pergunto inquieta, por que não perguntei na hora, no momento certo? Por que não volto para o Flávio tão comportado dentro daqueles olhos azuis! Por que me atravessei nos teus castanhos escorregadios e indecisos?

Na sua opinião, qual é a qualidade mais encantadora, mais atraente, tanto no homem quanto na mulher? Pergunta Shira, e Amós responde: Para mim, a qualidade mais encantadora, mais atraente, tanto no homem como na mulher, é a generosidade. Não importa o quanto erramos neste aspecto quando éramos jovens. Hoje eu sei que não existe parceira mais atraente do que uma mulher generosa, e me parece que tampouco existe parceiro mais atraente do que um homem generoso. Não tenho em meu tesouro de presentes um presente mais bonito a oferecer à minha parceira do que generosidade, curiosidade e imaginação erótica insaciável, e não há presentes mais bonitos que possam me dar do que curiosidade insaciável, uma generosidade afluente e uma rica imaginação.” (p.78)

E eu me demoro a pensar. (És assustado? Ou generoso? Ou tens preguiça do/no tempo?) Aliás, eu te confesso. Sou lenta. Sou lenta para todas as coisas que eu sinto, talvez sejas igual. Quanto mais rápido cozinho, ou limpo a casa, lavo as crianças, visto e levo para passear, ou para a escola, mais lenta sou para tudo o mais… Para conversar então! Eu me arrasto em divagações. Preciso que me segures pelos pés, ou pelas mãos, senão eu saio voando a me perder, bom que sou lenta… Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 – Torres

 

Estranhezas desta  vida, passar roupa em mesa redonda. Impossível! Ainda não consegui fazer o bolo. O tempo vai sempre apressado na minha frente, eu me arrasto. Sinto dor na perna, e me preocupo com os cabelos: por que temos mesmo que envelhecer? Bom! A resposta é óbvia, para estar/ficar viva!

citação amóz.jpg

Dostoiévski no texto reduz um pouco a alma, Amós Óz não… recorte importante.

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