Sonia: tão pouco! ‘ toda saudade uma espécie de velhice’ diz/escreve Guimarães Rosa

Citamos todos, tantos, colorimos a conversa matutina. Tempo! Dou-me conta: todos, todos eles. Os inquietos, os corretos, os subversivos, os revolucionários, os mansos, também os incertos incautos, tanto os absolutos como Jorge Luis Borges!, nenhum escapa do amor. De amar o amor mesmo em mirabolantes  metáforas, pelas beiradas e até nos escondidos. Ernesto Sabato faz/conta/explica agita a jornada. Perdoar depois de purgar a culpa disse André. E somos culpados desde sempre. A culpa está em toda e qualquer diferença… E por qual desvio devo chegar / andar para encaixar na paz marota de aceitar e perdoar. Arar o campo, plantar margaridas e laranjeiras. Eu me surpreendo, morosa no Grande Sertão: Veredas. Voltei. Deixo O Linguado, entro aturdida noutra guerra, outro dizer, e no final, o mesmo amor repetido que carregamos, minha amiga.

” Que é que de verdade a gente pressente? Dúvido dez anos. Os pobres ventos no burro da noite. Deixa o mundo dar seus giros! Estou de costas guardadas, a poder de minhas rezas. Ahã. Deamar, deamo… Relembro Diadorim. Minha mulher que não me ouça. Moço: toda saudade é uma espécie de velhice.”(p.68)

Como pode alguém dançar assim nas veredas (caminhos, ruas e picadas), e dizer em prosa poetando a verdade intocável, verdadeira e sentida… e os escondidos: ‘Minha mulher que não me ouça’. Penso: o que mais tenho medo e assombro?! Da verdade inteira, do amor, da entrega, de dizer ‘eu te amo’ e tanto! (Assusto o amor!). Não sei quanto tempo, nem alongo este ‘Eu te amo’!, logo será diferente, nem tanto,  quem sabe para sempre…(um espanto!). É isso. E o corpo gira no girar da tonteira. Depois passa. E lá se segue outro rumo, ou se chega em Torres na saudade envelhecida de Guimarães Rosa. Depois de conversar corrido o que vou ler nesta pressa. Não não cheguei no Ulisses de James Joice, corajosa que és. Não passei pelo tempo perdido, não todos os volumes, nem esgotei o amor de Proust, e ninguém esmiuçou tanto e tanto o verbo amar. Pecados, meia verdade. Obscenidade, feiura e descaso. Alopração de vida corrida!  A pensar, amiga!

“‘Tem discórdia não, Riobaldo amigo, se acalme.[…] Mas, se você algum dia deixar de vir junto, como juro o seguinte: hei de ter a tristeza mortal…’ Disse. Tinha tornado a pôr a mão na minha mão, no começo de falar, e que depois tirou; e se espaçou de mim. Mas nunca eu senti que ele estivesse melhor e perto, pelo quanto da voz mesmo repassada. Coração – isto é, estes pormenores todos. Foi um esclaro. O amor, já de si, é algum arrependimento.Abracei Diadorim, como as asas de todos os pássaros.” (p.69) João Guimarães Rosa

Da conversa de ontem, teclada, apressada, da conversa de hoje. Deste morno e quente dia que se diz inverno eu penso, cruzo  sentimentos. A caminhar devagar, a pensar e me digo/repito ‘por que não aprendo?’ Ana tem razão: por que não aprendemos o caminho e reconhecemos armadinha e desvio? Por que repito e sofro e não agarro, não termino no beijo, ou na raiva, no abraço, no ‘não devo, não quero, não posso‘. Por que as cores mudam? E as peças não se encaixam. Desencaixam como no engenhoso lego: colorido, estupendo. Eu me escondo. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 – Torres

2 comentários sobre “Sonia: tão pouco! ‘ toda saudade uma espécie de velhice’ diz/escreve Guimarães Rosa

  1. Tu não te escondes Elizabeth, não te escondes não… O quebra cabeça não encaixa mesmo… Nós todos que temos nos encontrado neste grupo de pessoas de tantos livros, todos na direção de uma cabeça melhor para o amparo das coisas do “corpo” que sabemos está junto/enfiado na mente que perambula na caixola.,,,, Pois é, entendemos mas não queremos ser testemunhas da possibilidade da perfeição! Por isso Guimarães Rosa feneceu tão cedo mas ta vivo vivinho dizendo essas coisas para não pirarmos…A nossa conversa iluminou os rastros do até agora. E mais agora esta beleza que você me escreve! Me ajudastes a me aprumar, não posso fenecer ainda e cuidar-me é exaustivo! Não quero arriar a energia quero voltar e bater na porta que está entre aberta…Um muito grata, abraço e …I am comming… .

  2. Não vou me estender… Não é preciso. Estou feliz! E bem feliz porque estás do outro lado a te cuidares. Foi muito especial te encontrar e deixar o tempo e as palavras nos abençoarem.

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