eu te persigo

vou dançar a tua volta, a seduzir, sem te tocar, apenas te amar com olhar faminto

a música há de nos consumir no ritmo frenético de existir, nada nos possui de  jeito mais profundo e remexido: a música

do teu silêncio eloquente medroso acanhado, mergulho e me  espreguiço neste calor invernoso

és tu derramado no desejo contido de ser jovem, o eterno: não é preciso

no ar o fazer, na espera, no desejo o encanto, a posse

chuviscou / nem molhou, o cinzento do céu anuncia que tudo vai mudar… Esfriar?

não sei, talvez melhorar a roda alegre de te esperar

sou eu, não sou ninguém, nem loira nem morena, nem triste nem esfuziante, sou eu

hoje vou escrever escrever escrever e fazer o texto relato, aquele cheio de palavras e palavras explicativas: a confusão / confissão de te amar atrapalhado, noutro tempo, já passado sem futuro, num agora esquisito e frouxo como o fato

atados na árvore proibida e passivos, estamos todos no Brasil azul verde e amarelo, o nosso Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2019 em Torres a madrugada me acordou de tanto dormir, dormir para passar e acordar, por quê? porque não estás aqui, tu te escondes dos meus sonhos, não adianta, eu te persigo

 

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