“Liberdade! Decerto que a liberdade que hoje em dia é possível é algo de miserável. Mas não deixa de ser liberdade, não deixa de ser um bem que se possui” Franz Kafka (p.123)

Converso com o livro, esquista eu! Volto a te encontrar. Momento novo, relampejar dispersivo. Quase, quase curada no/do silêncio. Volto para ti, para nós, como cisma . Teu conselho, tua ideia, teu primeiro momento se perdeu… Não consigo te largar. Oxalá a vida se resolva nas voltas, nos retornos, em retomadas e tenhamos outras vidas, estamos agora, tu e eu, emparedados.

E que outro significado tem senão esse as horas benditas que passo, ora dormitando pacificamente, ora vigiando com um certo sentimento de felicidade, nestas passagens que tanto se coadunam comigo, onde me posso estender confortavelmente, rebolar com prazer infantil, deitar e sonhar, ou dormir um sono profundo e abençoado.” 

Sono profundo e abençoado, este se deixar ficar necessário!  Franz Kafka já disse tanto destas interioridades labirínticas e inquietantes. Eu fico a rodar nas mesmas palavras e sentires, volto para nós. Não adianta voltar aos velhos, e mortos amados amores. Não sei… Apenas penso em ti louca de medo porque, de alguma forma, também tu podes ser o vazio. Ou apenas um amanhecer. Atrás da muralha estás. Desta Grande Muralha… Teu rastro, textos amorosos!

E as divisões mais pequenas, cada uma delas tão familiar que apesar da sua semelhança entre si as distingo umas das outras claramente, até de olhos fechados, ao simples tacto das paredes: elas rodeiam – me de maior paz e calor do  o  ninho ao  passarinho. E todas, todas silenciosas e vazias.

Por que não ouso? por que não avanço o sinal, por que eu mesma não nos surpreendo? Não quero quebrar o feitiço. Tenho medo do meu medo latente, vigilante. Também desta  insegurança grudada na minha pele. Tudo me assusta, e teu amor também. Antes de ir eu recuo, antes de aceitar digo não, antes de pensar saio correndo. Por isso recuei, depois tu mesmo recuaste. O teu sinal se escondia na tua memória, não eras tu agora. A camisa puída, os cães, o jogo, o verde e o tempo de ir e voltar de ousar nos fugiu. Tu ousaste. Eu fui andando meio cega. Eu me pergunto por que não parar o agora? Olho pela janela, passiva entregue. E espero por ti. Na rodoviária, no meio do caminho, na esquina. Eu sei. Sei do estrago / da felicidade / da ansiedade / da incerta travessia. Assim mesmo iria ao teu encontro. E.M.B. Mattos – julho de 2019

Mas, se é realmente assim, então porque hesito? porque receio mais o o intruso inimigo do que a possibilidade de nunca mais voltar a ver a minha toca; eu e a toca estamos tão indissolúvel e intrinsecamente ligados um ao outro que, apesar de todos os meus receios, eu poderia instalar – me aqui fora, sem ter de vencer a minha repugnância e abrir a porta; eu saberia sentir – me satisfeito em esperar […] pois nada pode nos separar muito tempo, e,  de um modo ou de outro, quase que de certeza voltarei a encontrar – me na minha toca. […] E só de mim depende inteiramente o encurtar este período e fazer o que há a fazer imediatamente.” (p.46-47) Franz Kafka  A Grande Muralha da China –  Tradução de Maria de Fátima Fonseca – Direitos desta Edição reservados por Publicações Europa-América LTDA (livros de bolso – europa-america 124Lb

 

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