Ne sois pas triste / Não fiques triste

 Ne sois pas triste.  Nous avons vécu un beau rêve. Vivemos um bom e bonito sonho. Eu me agitei. Sem certeza / com certeza. Seria/serei a pessoa descrita na tua carta? Ou projeção mal resolvida. Tão estupendo, mágico! Pensar que estarias em Torres… Não era/é possível voltar no tempo. A vida em carrossel, mimos aos meus olhos. Li e reli tantas vezes tua carta!

Escreves/descreves tua/teu personagem sublinhando o excepcional: quero colar tua imagem/ideia/descrição com a possibilidade de ser eu. Não sou embora possa desejar querer, profundamente, ser pedaço vivo da tua descrição e abraçar/ ser a mulher excepcional. Sabes bem destas coisas sonhadas / destas metas traçadas com o rigor do bom desenho: alcançar o topo, tocar naquele infinito impossível do sonho… Quando imagino, lembro, e te busco nas conversas, lá está o sonhador / o sedutor, e  também o guerreiro. Tens o teu pote de ouro, cheio de moedas: teu jardim florido, e tua primavera particular. E nunca estás sozinho. Seduzida por tuas palavras desejo eu mesma voltar ao Amoras pelos teus olhos, e colorir com rigor e beleza. Tirar os vestígios mal resolvidos de uma solidão que grita mesmo estando povoada.

Com certeza despida. Aos teus olhos, nua. Sem pudor ou vergonha. Apenas eu. Entregue ao desejo de ser acolhida / compreendida. Para chegar à mulher passaste pela juventude da beleza soterrada, assim mesmo por inteiro exposta. Uma geração. Não apenas eu. Tantas jovens foram aos mesmos e privados jardins. Ironia? Eu tinha por natural a vida, respirar / ser / e aqueles mimos não foram sublinhados… Eu me deixei atingir na primeira curva. Nenhuma convicção da beleza. Aqui tu me aprisionas, tu me tocas, tu me seduzes como pessoa. Chegas na fragilidade da minha pequena vaidade, no meu desejo mais acirrado e forte: escrever. Escrever. Escrever. Este jogo com as palavras, ou a descoberta de provocar tocando…, e aproximar e estar, imediatamente, confundida com o outro no texto. Céus! Luxúria. Prazer Vitalidade. Comunhão. Numa frase. Ah! Como é bom estar contigo e te escutar, imaginar que somos feitos um para o outro posto que podes me compreender e me sentir como eu me imagino ser e te descobrir como pessoa, eu começo a querer te definir, invadir, também possuir. Estarrecedor! Gosto da palavra merci /obrigada: descrevo/sinto como o prazer da tua leitura. E deste gosto, ao fechar o livro, de intimidade. Eu te agradeço a visita. Eu digo obriga para teus gestos, teu carinho. Eu me sinto lisonjeada, uso a palavra LISONJEADA. Confusão.

Depois de ler tanto e tanto Anaïs e Henry Miller, apaixonada de amor pelo amor deles fiz questão de indo a França conhecer Rocamadour. Estas vontades gordas abraçam e nos motivam. Como eu te compreendo. E me sinto triste e culpada por ter sentido tanto medo. Medo da ElizaBeth que ias encontrar, distante daquela que imaginas existir. E aqui todas as considerações possíveis seriam/serão descrever minha pequena e insignificante vida torrense. Acompanhei tua caminhada. Estou contigo, ao teu lado, seguindo teu caminho que tanto me impressiona! Produtivo, inquieto. Teus projetos fervilham…

Descreves com beleza e com poesia teu lugar de confinamento. Lugar de conhecer a alma. Teu jardim / tua casa / teu tempo de aujourd’hui. Tua voz ecoa no meu pequeno estar. O sonho sonhado era / seria amoroso, não podia ser uma peregrinação de lugares a ser visitados, mas de intimidade. Talvez nem sequer desejada. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020 – Torres

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