sem título

No mármore quebrado da mesa de ferro eu me inclino para escrever. Sala limpa, silenciosa. Paradoxalmente, o silêncio não chega: o ruído na cabeça e o som dos carros. Ordem, luz adequada: limpeza. As outras peças da casa, tomadas pela desordem. Disponho-me organizar/arrumar a cabeça: equaciono possibilidades. Não, nada farei sem autorização.

Cabelo comprido de menina esfogueada. A leitura adolescente, velhos romances: para sempre felizes, sem rebeldia. Dentro, as velhas injustiças se remexem: o namorado olhou para o lado. Olhar que não olhou. Silêncio. O beijo, as dúvidas se esqueceram/afundam na gravidez. E o cimento cobre madeiras e pedras. A terra se mistura. E a casa surge…

Beth Mattos – Porto Alegre – 2008

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s