porque dão felicidade

Sem jeito de dizer e querendo contar, descrever. Teclar e escrever manso sobre a história sem vento nem ventania, sem desejo ou sei lá quantas estórias ditas histórias (gosto desta invenção da ortografia de estabelecer a diferença entre o real e o inventado), quando penso suponho que inventado faz mais sentido. Desarrumado, assustado no meio das armadilhas das palavras. Já me aconteceu de ser pressionada a viver o inventado/fantasiado, neguei tudo. Apaguei o bom e tudo ficou falso. De outras alegrias descobri não serem inventadas, aconteceram. Um jeito de acontecer tão distraído, nem me dei conta da felicidade.  Naquele dia comemos maçãs, bebemos vinho, e eu desastrada falei/contei nos/dos idealizados (eternos) e atuais / presentes amores cambiantes, os mesmos: cercam o passado, o presente (aquele momento), e estão/são o futuro. Gosto confidencial das relações que se impõe.  Empilhadas /embaralhadas as cartas, e os quatro curingas. Mais fácil vencer o jogo. Gosto de cartas. Dos jogos. Magda e eu ficávamos hipnotizadas. Qualquer jogo. Fosse o pingue pongue de mesa, Banco Imobiliário, tênis, e ou espiar o basquete ou o futebol. Nas piscinas do Petrópolis Tênis Club inventávamos competições.  Apostávamos corrida e jogávamos amarelinha. O jogo amanhecia e entardecia: damas, dominó ou xadrez. Girar, arriscar, picar/quicar. Fascinadas. E jogávamos a vida com bonecas: príncipes e princesas de papel. Desfiles e competições. Inquestionavelmente, competir é mesmo um vício.  Não pelo jogo em si, nem pelo primeiro lugar, mas pelo desafio. Li bastante, muito ou quase toda a obra de Henry de Montherland, grande jogador! Perigoso romancista. Perfeito. Cruel. Maravilhoso.  Não se consegue parar… Importante! Estas questões sérias e definitivas: vida a ser aberta/descoberta… Depois, anos depois, Amiel.

Aflita neste dia “engraçado ” indefinido, “torto”, um dia assustado, Somos este/um/ o amontoado de palavras a ser escolhido/ assimilado, depois selecionado.  Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2020 – Torres

“Ninguém é constrangido, ninguém é explorado, ninguém representa um papel interesseiro. Todos oferecem o seu talento, ou algum dinheiro, e contribuem, conscientemente e alegremente para a obra comum, para a superior finalidade que brilha ante seus olhos. Até o amor-próprio a concorrer à ação coletiva, sob pena de prejudicar-se fazendo-se notar.

16 de fevereiro de 1871 (meia-noite) Compreendemos as mulheres como a língua dos pássaros, pela intuição, ou de modo algum. O trabalho, o estudo, o esforço aqui não servem de nada: é um dom ou uma graça. Para compreender estes enigmas vivos, é preciso amá-los; mas isso não basta, pois podemos adorá-las sem nelas chegarmos a ver mais claro. […] O indivíduo de lucidez parece um feiticeiro. Mas é um libertador, e as mulher bem o sabem. Para ele, as confidências, porque ele sabe compreender e consolar. Para ele, a gratidão apaixonada, porque ele tem a chave dos corações e porque guarda fielmente os segredos. Felizes e afilhados da fada, porque dão felicidade. Quem conhece a linguagem dos pássaros é iniciado em muitos outros mistérios. É rosa-cruz de nascença e grão-mestre na franco-maçonaria do amor.” (p.319)Henri-Frédéric Amiel Diário Íntimo

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