de amor e de tédio

Ensaio/repito/ anoto o jeito, a forma, mas o roteiro não se fixa, escorrega. Um balanço. Tenho medo. Então, uma amiga traz de volta e se deslumbra com o livro Desamparo da portuguesa Inês Pedroso. Eu me deslumbro. Portugueses: música embalada e perfeita. Valsa constante, sonata, canção, palavras e palavras e palavras! Walter Galvani, jornalista, amigo contou; conversou com Inês Pedrosa, num voo. Repetiu: ela enfeitiça. Morri de inveja! Beth Mattos

O amor não tem portas que possamos abrir e fechar, nem passagens secretas para um sótão onde possamos fazer férias dele. Toma conta de tudo em nós, envolve – nos como um lençol de tédio, sedoso, infinito. Ninguém fala deste tédio sublime, tão contrário à acção e à eficácia, imóvel inimigo do progresso do mundo. Só no trono do sonho, iluminado e funesto, o amor interessa. Prolongada, a vida torna -se demasiado curta e o ritmo ganha o ritmo da chuva que bate leve, levemente.” (p. 78) Inês Pedrosa. Nas tuas mãos Editora Planeta do Brasil – 2005

2 comentários sobre “de amor e de tédio

  1. Sim, ler Inês Pedrosa é se deliciar com cada frase e o que mais me encanta é que ela transforma personagens comuns e corriqueiros, em verdadeiras preciosidades. Adoro!

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