Gaston Bachelard

Procura mais, mais, mais do que já tenho, mais em de tantos jeito até a fantasia completa, irreal… E tão agora, única, reinventada em detalhes.

“O ninho como toda imagem de descanso, de tranquilidade, associa – se imediatamente à imagem da casa simples. Da imagem do ninho à imagem da casa, ou vice-versa, as passagens só se podem fazer sob o signo da simplicidade. Van Gogh que pintou muitos ninhos e muitas choupanas, escreveu ao irmão: ‘A choupana com teto de palha me faz pensar num ninho de cambaxirra‘ (Van Gogh, Lettres à Théo, trd .fr., pág. 12) Não há para o olho atento do pintor uma reduplicação do interesse se, ao pintar um ninho, ele sonha com uma choupana, se ao pintar uma choupana sonha com um ninho. Há tais enlaces de imagens que parece que se sonha duas vezes, e que se sonha sobre dois registros. A imagem mais simples se duplica, é ela mesma e outra coisa que não ela mesma. As choupanas de Van Gogh são excessivamente cobertas de colmo. Uma palha espessa, grosseiramente trançada, acentua a vontade de abrigar além das paredes. De todas as virtudes do abrigo, o teto aqui é a testemunha dominante. Sob a cobertura do teto, as paredes são de barro toscamente trabalhado. As aberturas são baixas. A choupana está assentada na terra como um ninho no campo. E o ninho da cambaxirra bem parece uma choupana, pois é um ninho coberto, um ninho redondo. O Abade Vincelot o descreve nestes termos: ‘A cambaxirra dá a seu ninho a forma de uma bola muito redonda, na qual é feito um pequeno buraco colocado na parte inferior, para que a água não possa penetrar. Essa abertura é extraordinariamente dissimulada sob um galho. Frequentemente aconteceu – me examinar o ninho em todos os sentidos antes de perceber a abertura que dá passagem à fêmea‘ Vivendo em sua ligação manifesta a choupana ninho de Van Gohg, subitamente as palavras me dão prazer. Apraz – me dizer a mim mesmo que é um reizinho que mora na choupana. Eis uma imagem – como, uma imagem que sugere histórias.” (p.83) Gaston Bachelard A Poética do Espaço

Sequencia fantástica, já menciona o retorno. Eu me pergunto, em que momento construí estes desejos sonhos -sonhados, e a vontade que me faz retornar, voltar, retornar para seguir. Em círculo. “A casa é a própria pessoa, sua forma, seu esforço, mais imediato, eu direi, seu sofrimento.”

O delírio de pensar / o delírio de voltar / de transladar e correr, esconder, aquietar para encontrar… Esta dor do corpo que aperta pode ser a marca do inteiro, a perder pedaços ou a evoluir…. Beth Mattos Ler tudo outra vez, desenhar, pensar, escrever e recomeçar. Recomeçar tem dor, tem resistência. Haja coragem!

E pensar e pensar, e a pensar. A poética do Espaço – Gaston Bachelard

cambaxirra, o ninho

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