sem óculos

eu procuro sem óculos, não encontro: vida e obstáculo

a idade me fez/faz usar óculos,

eu, desavisada, sigo quero ver/olhar sem ver, engraçado!

não encontro: ufa! basta colocar óculos,

pronto, encontrei!

coisas de beth atrapalhada

amanhã o jardineiro vai me devolver buganvílias e grama

estou insegura, insegura…

Alguém me escreveu / contou a história: Eu estou apaixonada, então, sonho, de sonhar acordada, insone. Beth Mattos me sacode, quer dizer / fazer com que eu acredite, pois coisa doente dentro de mim, não acredito hoje, ontem, acreditei. abri a porta desavisada…Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – Torres outonando

Fotos de João Brentano – Praia da Cal – Torres – Rio Grande do Sul / Brasil

[…] XYXZ resmungava e ressonava. Desistiu. Saiu. Uma manhã linda. Outono. Frio encorajador da estação. Cores estarrecedoras. Mar como nunca tinha visto, como sempre a cada fração de tempo diferente, mas desta vez mais, tanto, mais diferente ainda…Fome. Café. Esqueceu que Alter também tem fome. Não havia comido. Apressado e atabalhoado como é. Tinha desaprendido o real aroma das padarias, tão mecânicas eram suas andanças… Como sempre, encontrou amigos – não amigos – conversou. Riu. Ouviu as novas da CPI. Falaram no friozinho outonal. Observou como eram lindos e amigáveis, todos. Não observava mais, recluso, tanto tempo. Ao menos desse jeito. Ficou com a sensação que os óculos estavam virados ao contrário, para dentro… estranho.
Assustado, lembrou do XYXZ lá, ressonando. Voltou correndo e olhou aquele corpo estirado na cama… (quase como na música). Ressonando. Entranhou-se sinuosamente através da pele. Reassumiu seu ego, mantendo fraternidade com o alter. XYXZ estremeceu, abriu os olhos. Alter, sorrateiramente, fez com que XYXZ colocasse os óculos como deve ser: voltados para fora. Encolheu-se de novo, como manda a etiqueta do mundo Alter. XYXZ percebeu/sentiu aromas mágicos esquecidos. Abriu as cortinas e foi atropelado por aquele universo de cores e amigos que lhe dirigiam largos sorrisos. Tinham passado correndo antes ou será que estavam lá sempre…,um mistério que não valia a pena desvendar pois agora estavam lá!
” ZMYBMK

Obrigada pelo texto. Transcrevo. Tudo és tudo, tudo sou eu. Fragmentados, eu sei, mas… Os cruzamentos do amor, a vida, a vida ela mesma a se misturar no desejo. Desejo, aquele desejo possuído de ser, ser outonal, manso e apenas tu. Surpresa. Eu posso te abraçar e te beijar devagar, sem apertar. Encostar meu corpo no teu, devagar. Feliz de/por ter encontrado naquela gaveta a ternura que se desmancha nas mãos e escorrega pelo corpo feliz. Beth Mattos – Torres

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