engasga o medo

sei lá, abri o livro e lá estava na margem teu nome… reli o sublinhado, acertei ponteiros da memória vestida, sortilégio. Possibilidades. E me dei conta dos anos / anos de esperar…

coisa bem esquisita o tempo, e o de repente / repente como ele diria, num repente… escreves no fluxo do ritmo, danças. Vais indo embalado a dizer sem interromper, despejando… E estás lá, no meio do livro. Ao acaso estás por ali olhando / espiando, contemporâneo de Jorge Amado e da sua Gabriela. Coisas de ser semente. E chega o gozo. Hoje pisas nas minhas margaridas, sinto o estremecimento, e eu me aborreço porque…, por quê? estas coisas de sentimento, de amor não amado, passando passado como vento, e se soltando no ar feito pipa/pandorga…voando!

A calçada da lagoa está toda desmoronando, se a chuva não ficasse sol, como ficou/ficaram…, as árvores do lado de cá amanhã afogadas / tudo terminado/terminado. As árvores nativas e as plantadas mergulhadas, um pouco mais…

Estou sonolenta, meio do outro lado, não quero pensar, mas voar. E não quero tropeçar. Tenho tantos livros pra voltar, tenho tanto pra sentir, não quero escorregar, tropeçar, nem vou chegar, não vou/não posso/não quero, e desejo tanto! Deixar lágrimas escorrerem como chuva boa, doce… eu te pergunto: o que queres exatamente que eu faça? E o que queres que não faça, não diga? Eu te esperei naquela tarde na rodoviária… olhei para todos os lados, quase perdi o ônibus, o último… Três anos, ou quatro, ou foi antes? depois? coisa de vida inteira a te esperar…, corajosa, e tu apenas me deixaste passar! Hoje tenho medo. Nenhuma palavra tira meu medo, nada. Elizabeth M.B. Mattos junho de 2021

Queria entender do medo e da coragem, a do galã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder. O que induz a gente para más ações estranhas, é que a gene está pertinho do que é nosso, por direito, e não sabe, não sabe, não sabe!

Sendo isto. Ao dôido, doideiras digo. Mas o senhor é homem sobrevindo, sensato, fiel como papel, o senhor me ouve, pensa e repensa, e rediz, então me ajuda. Assim, é como conto. Antes conto as coisas que formaram passado para mim com mais pertença. Vou lhe falar. Lhe falo do sertão. Do que não sei. Um grande sertão! Não sei. Ninguém ainda não sabe. Só umas raríssimas pessoas – e só estas poucas veredas, veredazinhas. O que muito lhe agradeço é a sua fineza de atenção.”(p.140) João Guimarães Rosa Grande Sertão: Veredas

A calçada da lagoa está toda desmoronando, se a chuva não ficasse sol, como ficou/ficaram…, as árvores do lado de cá amanhã afogadas / tudo terminado/terminado… As árvores nativas e as plantadas mergulhadas, um pouco mais…

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