The Window – Ivan Albright

Não consigo dormir / não consigo engolir, não consigo respirar, apenas estou aqui, e não sei esperar, aliás, não espero porque não virás… Atravesso o dia animada com a limpeza, com a tal vontade de emagrecer. Faço a caminhada, animada com o vento. Animada com a possibilidade de encontrar… céus! Por que me olhas assim, desarrumado no olhar?! Estavas brincando comigo, eu não estou brincando, estou colorindo. Encontrar exatamente o que preciso encontrar: o jeito de estancar / fazer parar o relógio. Voltar, voltar, voltar… Agora usarei toda as cores que estão a minha disposição (as tuas). No mesmo risco, depois faço círculos, círculos e uma cadeira, será que sei desenhar cadeira? Uma janela como Ivan Albright – conscienciosamente bem planejada. Os lápis coloridos riscando, riscando, riscando… Eu me divirto. Não ficas quieto. “Toda linha controla qualquer outra. Toda cor influencia qualquer outra. E uma cor é tão forte como a impressão que ela cria. Uma linha reta é o fragmento de um círculo. Um plano é um sólido estendido. Nós temos dois olhos: deles provém nosso sentido de espaço.”(p.38) Não me perguntes por que estou aqui a escrever sem sentido, sem paciência, sem esperar, sem acreditar, ou seja, desesperada a te imaginar.. Estou lendo e me movendo, fazendo a corrida pela calçada, deixando o ar entrar. Estou a te desafiar, desafiando a mim mesma. Não me olhes. A barriga não voltou para o lugar. Como se estivesse grávida, estou. Grávida de amor seria lindo, Grávida de vontade. Grávida, redonda, como se eu fosse uma mulher de barro, aquelas gordas do Maia… Meu querido, procuro controlar o texto. Repito o que Albright diz/escreve com seus pincéis e explica ao entrevistador:

Procuro controlar o observador, fazê-lo movimentar-se e pensar do modo que eu quero.’ (E eu te sussurro gritando: quero que tu me ames de todos os jeitos , modos, organizados e ensandecidos e silenciosos, que eu não possa reagir.) Diz o artista: “Em The Window (A Janela) por exemplo, e em muitas de minhas pinturas eu tento levar o observador para trás, para os lados, para cima ou para baixo, sempre no sentido de fazê-lo entrar na pintura e sentir -se jogado em todas as direções, para levá – lo a ver que os objetos estão em guerra, que há movimento constante, tensão e conflito entre eles. O que em realidade procuro fazer é apresentar a vida de modo coerente que leve as pessoas a meditar um pouco. Não pretendo fazer uma experiência estética agradável; pretendo sacudir o observador, despertá-lo para que pense, fazê-lo sentir-se pouco a vontade. No entanto não lhe indico o que pensar. O que mais procuro fazer? Compor um movimento. Descobri que sei caminhar; descobri que tenho pernas e posso mover-me e por isso posso ver os objetos sob múltiplos ângulos e de muitas posições.”(p.39) Katarine KUH Diálogo com Arte

Eu estou a falar contigo. Sei lá por onde andas, ou se andas com tuas pernas, ou se te moves na cama, ou se estás perdido, ou inquieto, ou feliz. Estou a falar contigo enquanto jogas /brincas de cabra-cega -, fazíamos quando criança, vendava-se os olhos, girava-se a pessoa sobre ela mesma muitas vezes, todos corriam, e ela tinha que pegar alguém, e todos riam, zoavam, se aproximavam, corriam e ela tateava no ar… lembras? Vou assistir um pouco de televisão, quem sabe um filme, ou terminar o livro de Paul Auster. Já te disse o tanto que me impressiona a narrativa. Descreve minuciosamente a mãe, sem escorregar, sem piedade, mas com cuidado e precisão de cirurgião. Algumas pessoas são apressadas para amar porque temem a solidão. (Estou assim desconcentrada, perdoa) Afoitas, sempre no meio da desordem da vida, e sofrem. Também eu não sei o que devo saber para ser sossego e quietude. Eu me atrapalho. Eu te amo agora sem te ver / eu imagino o amor de amar. E não estás aqui para me explicar… Eu aprenderia? Entenderia? Ou apenas te divertes quando me acordas às três da manhã para fazer /dizer/apalpar e rir do amor, e depois desmaiares, voares para teu quarto pé ante pé. Beijos e empurrões, sussurros e apertos. Eu dormindo no sonho de te querer penso que és tu para ficar… Ah! O delírio. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2021 – O vento não sossegou, vou tentar dormir outra vez. Por favor, chega logo. Prometo não te segurar, e te deixar partir para voltares…

2 comentários sobre “The Window – Ivan Albright

    • estava usando o teu presente, lembras? os meus 70 anos, uma joia de prata, de repente lembro dos dias que almoçamos juntas, tu apressada, eu sempre encantada por estarmos juntas…, obrigada. Eu sempre te visito em pensamento. Escrevo menos cartas. E não consegui seguir com a Marta, já estaria longe…igual te agradeço: preciso voltar

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