vazio do abandono, ao mestre

Preciso de grandes esforços pra imaginar meus personagens e depois fazê-los falar, pois me repugnam profundamente. Mas quando escrevo algo das minhas entranhas, sai bem depressa. No entanto, este é o perigo. Quando se escreve algo de seu, a frase pode ser boa por jatos […] mas o conjunto falha, as repetições abundam, há redundâncias, lugares comuns, locuções banais. Quando se escreve, ao contrário, algo imaginado, como tudo deve decorrer da concepção e como a mínima vírgula depende do plano geral, a atenção se bifurca. É preciso a um tempo não perder o horizonte de vista e olhar a seus pés. O detalhe é atroz, sobretudo quando se ama o detalhe como eu. As pérolas compõem o colar, mas é o fio que faz o colar. […] Para mim o mais elevado da Arte (e o mais difícil) não é nem fazer rir, nem fazer corar, nem despertar o cio ou furor, mas agir segundo a natureza, isto é fazer sonhar. (p.132) Gustave Flaubert Cartas Exemplares –

As costuras de releituras: apenas argila. Não são matéria, mas o tudo do caldo a ferver. Se desmancham possibilidades…Fico agarrada ao fio das pérolas, e seria o tudo, sem ser nada. Não defino a realidade. Palavras soltas, o sonho daquelas outras, as esquecidas. Não consigo me fixar…, trabalhar, logo desvio o olhar, e, volto a te amar / desavisada. E que sentido tem este vigor/esta vontade? Vou a me encolher menina, e tu cresces homem, não temos caminho, nem jeito. Enfim! Volto as costuras bordadas: pequenos quadrados coloridos, quentes, e firmes. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2021 – Torres

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