brincar com flor e com setembro

Tudo o que eu possa dizer, não digo, basta um pensamento distraído para completar a imagem, o perfume da casa, o descaso e esta caminhada dos objetos pelo chão, os mesmos: conversam.

Escrever tem fluxo: vasculhar /remexer/ fazer sentimento pode ser pintar com / ou o piano, acordeão… Flauta e aquarela aguardam: pincéis finos, densos, e, a mão destra, e, a música carrega o sentido.

Se eu vou ao teu encontro depois de, se vou ao te encontro com saudade contaminada de mesmice… (uauuu!), o que importa eu dizer? Percorro o tempo. E, na calçada, se olho distraída para as favas das mimosas, esqueço. A esquina daquela casa, naquela rua das voltas. Procuro os muros da casa de Petrópolis: a Vitor Hugo 229, sei lá! coisas de hoje, podem ser ontem. Um prego se atravessa: tênis e meia grossa, chega no meu pé…, outra vez. Um desacerto dolorido. Ah! seria diferente se ainda pudesse estar a te ver todos os dias…, e bastaria? Ou quero te encontrar na nudez / no corpo exposto ao sol, na juventude dos dezessete anos. O poder: vestir vermelho… e tudo ser ainda o amanhã. Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2021 – Torres

As imagens estão ligadas entre si por relações de contiguidade, de semelhança, que agem como ‘forças dadas’, elas se aglomeram sendo atrações de natureza em parte mecânica, em parte mágica.

“Ideias não têm outra existência senão a de objetos internos do pensamento, mas elas nem sempre são conscientes.

Não há um mundo da imagem e um mundo do pensamento, mas um modo de apreensão incompleto, trincado, puramente pragmático do mundo, […] a imagem é o domínio da aparência.

– pai do meu pai – Pedro Alexandrino de Mattos

Podemos deixar a memória vagar ao acaso: as imagens se sucederão em um mesmo plano de consciência, elas serão homogêneas. […] Compreender, lembrar, inventar é sempre formar primeiramente um esquema para depois descer do esquema à imagem, preencher o esquema com imagens […] é do esquema que vêm a flexibilidade e a novidade. E Bergson conclui: “Ao lado do mecanismo da associação, há o do esforço mental.”(p.18-77)

Jean-Paul Sartre A imaginação

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