carta / história de tanto tempo

(25/4/2006 15:32:58)

O dia está acinzentando. Minha janela, toda aberta, mesmo assim, abafado. Chuva anunciada. Inquietude. Ontem cheguei de Santa Cruz do Sul no entardecer.

Bom volta…, alimenta e rejuvenesce. Reencontrar a seiva, o motivo, nova energia. Lamento não ter conhecido a Joyce. Suzana descreve como meiga, boa e alegre. Bom nosso reencontro, justificável alegria. Dois irmãos desenham nova história. Eu resgato alguém confiável.

Acredito no “fazedor” de histórias de ERA UMA VEZ… As mesmas raízes. Podemos nos confidenciar. Ler poemas, e, textos inacabados.

Que coisa mais piegas estou a te escrever?

O silencio se alongou… Tua carta não chegou. É preciso acalmar a espera. As abas do tempo, continuação, não apenas renovação.

Pois é Paulo, apesar de nunca voltares, tu estás sempre chegando e assim tu estás presente. Não é maravilhoso?

A vida se faz urgente, e, o livro da vaidade, esquecido… Trabalho internamente na procura de respostas à sedução. Neste encantamento que as pessoas exercem. A importância do beijo, do abraço que nos estremece.

Somos portadores de energias ocultas: um olhar, uma vibração. Estar apaixonada! Motivo para continuar, recomeçar.

Existe diferença?  Suponho que sim.

Meu orientador está chegando da França, converso com Limoges e sinto a vibração.

Assim como gosto quando escuto tua voz, tua risada ao telefone.

Na terapia descubro afetos ligados à noção de proteção paterna o que me faz ver/entender o ego exigente. Enfim, mulher como qualquer outra. Careço dos afetos, reconheço, nos amigos, a ternura.

Adorei estar com amigas em SCSUL. Chás e jantares parecem estar nos lugares aquecidos de sempre. A audiência me estremeceu, mas a germanidade da cidade, à volta no tempo, o aconchego de algumas certezas, me fortaleceu.

Talvez passe uns vinte dias na casa de meu filho, lá a vida se retorce com o cheiro de mar: fluxos e refluxos da rebentação. Coisas se misturam com areia grossa e caminhar leve. Gosto do Rio de Janeiro e da carioquice de tudo. Luiza foi para a Alemanha. A juventude acredita na vida: descobertas. Surpresas. Estranha magia de encontrar luz. A percepção vem lá da alma. Do amargo para encabulada alegria. Aguardo notícias tuas. Elizabeth M.B. Mattos – 2004 – Porto Alegre

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