caverna

Viver /morar na caverna pode ser opção (idealizada). O processo de proteção se instaura. No princípio foge-se de frustrações banais, do não reconhecimento. O desejo da posse / ou a posse-sonho corrompe…, eu acho. A pessoa quer/imagina poder administrar espaço, tempo. Os tentáculos. A gente rejeita um isso e um aquilo. Seleciona. Procura o companheiro, acredita, se inspira… A ideia de ser dois e multiplicar (certeza de poder), e as conversas compridas, a força de estar perto e repartir / refazer. ( O que desejamos refazer?! Sabemos tão pouco do feito! Se ao menos fossemos precisos, mais exatos com o sonho…). E agora eu pergunto / eu Elizabeth / eu Beth o que desejo/quero exatamente, o que pretendo? Os espinhos / a indisposição da alma, como ouriço. E logo o corpo quer o abraço, o beijo, o afago -, parece simples, mas não é nada simples. Quer dividir a risada. Carece. Se aninha no vazio de ser assim, o vazio. E mesmo quando acendo as velas por toda a caverna, ilumino, os degraus, invento voltas / fazeres, ou renovo, limpo! Um vazio! Carrego jasmins, desenho folhagens. Persigo o som. Num minuto a vontade de chorar sacode a rede, e aquele vazio ancestral, infantil silêncio, medo de estar sozinho, de ser nada, de não significar… Não merecer um olhar, não fazer brotar nenhuma ideia, nem lampejo de luz… E não saber se caminho para a esquerda, ou dobro aquela rua, ilumino aquela praça, adoto mais cães. Ou liberto. Como a gente faz isso? Que droga de sentimento! Como se materializa este sentimento? A saudade. Não a saudade dos nomes, das pessoa, a saudade do tempo de acreditar. E uma voz estranha chama pela mãe, pelo pai… (outra vez criança, meio perdida). Eu quero tudo outra vez. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2022 – Quero outra vez querer tudo outra vez, outra vez. Voltar a Ponta Grossa, a Santo Ângelo, apreender a rezar a Ave Maria e o Pai Nosso, e saber ler com os cartazes da tia Mariazinha. Quero tentar outra vez. E prometo! Não vou me deixar engordar e vou estudar. Vou ser bonita. Vou cuidar de mim, vou me encontrar com o verão, entrar no mar…

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