Quando se chega aos sessenta e poucos anos ou um pouco mais e o tempo, porteira aberta não significa nada mais como acontece contigo, tem exlicação. KB, ninguém precisa de ti / teus espinhos se afiaram tanto e tanto que todos se afastaram… Somos uma rede de necessidades, quando vamos queimando etapas, vamos para a independência! Agora, estás tu contigo e tuas asperezas e teu azedume próprio. Aos que te cercam um certo respeito ao diabo que se agita por perto. Nem é triste nem é festivo: o fim da vida eu diria, o teu. Houve um céu iluminado e houve também generosidades alegres. De repente enveredaste para uma floresta escura e traiçoeira. Segue tu contigo. Chega de arrastar quem é iluminado. Eles, os que eram teus, se rasgaram a chorar, a doer, a sentir, mas terminou. Precisam sobreviver porque a estrada é larga e comprida, a tua se estreitou perigosa, escura. Vai sozinho e nos liberta! E quanto mais cedo e mais rápido fores, mais fácil será para os que ficam, mais leve, mais festivo, mais desenbaraçado e bom! Se tiveres consciência disto tudo, te apreesa! Vai logo! Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2022 – Torres (dia com sol e frio, tanto frio! o mundo virou de lado…acho que algumas pessoas devem sair do caminho, muitas vidas novas querem chegar, e com paz e alegria)
Mês: novembro 2022
Conceição Evaristo
Quando a gente quer dizer, a gente diz. Depois esquece um pouco porque dizer tem sido tão caminho cruzado! Tanta bobagem sem rumo, como querer conversar, pensar junto. E todo mundo quer mesmo ter razão, aparar a palavra do outro para rebater, não acrescentar. Levo cada susto! Agora estou lendo coisas novas, que o neto me indicou, e isso me renova! Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 / Torres
“Ponciá Vicêncio gostava de ficar perto da janela olhando o nada. Ás vezes se distraía tanto, que até esquecia da janta e quando via seu homem estava chegando do trabalho. Ela gastava todo o tempo com o pensar, com o recordar. Relembrava a vida passada, pensava no presente, mas não sonhava e nem inventava nada para o futuro. O amanhã de Ponciá era feito era feito de esquecimento. Em tempos outros, havia sonhado tanto! quanto mais nova, sonhara até um outro nome para si.” Canceição Evaristo Ponciá Vicêncio

brilhava de brilho
“Esse milagre de ler, essa magia tão rápida no meu cérebro, como se alguém movesse uma varinha à distância ou soletrasse palavras misteriosas, desenfeitiçaram-me.
A partir dessa tarde de sábado, embora a minha prisão física não se alterasse, e os muros continuassem altos à minha volta, em todos os lugares, apossei-me da ferramenta que escavaria a minha liberdade.
As frases podiam roubar-me a qualquer lugar, levar-me para dentro de mentes diversas, e esutar o que pensavam e não diziam; as mentes dos bons e dos maus e dos mais ou menos, que eram a maior parte; sentar-me em navios perdidos, pairar sobre vulcões e dormir em jardins de rosas e sombras suavemente lilases.” (p.83) Isabel Figueiredo Caderno de Memórias Coloniais Todavia editora – 2018