para Marta

Marta, não esqueci de lembrar. Lembro todos os dias que preciso
escrever, colocar casaco, repousar a cabeça, deixar o mal-estar passar
e desencantar…

Demorei muito para me dar conta que a tua casa não estava mais no
lugar que deveria estar: o que era um balneário se transformou numa
cidade: outras regras, outros jeitos e muitas, muitas pessoas.
Impressiona o fluxo. Sem um churrasco de vizinhança, sem os meninos
brincarem, sem os cães entrando e saindo… Mudou o ritmo, e o tempo.
Observar será redescobrir, mas, o jeito de ser de cada um parece tão
igual!, não se pode acompanhar estes estados mutantes e sugestivos.
Engraçado isso. Acompanhar o que muda sem mudarmos… Se transformo o
olhar, estranho o meu próprio olhar…

Loucura os filmes! O cinema! Pode existir maior magia
que a sensação de estar lá? E depois, como é lento o voltar para casa,
sair da tela, da experiência? O esquisito de viver é o
desconhecido / o desconhecido de ser estranhos para nós mesmos. Vemos
os outros, fazemos coisas apressadas, resolvemos, dormimos cedo,
acordamos mais cedo ainda, tricotamos, bordamos, e não sabemos nada de
nós mesmos… Uma viagem para outro, outro eu, não sou eu. Ah! Os pintores e
as telas. Um finito com limite e o infinito. Pobre de quem escreve! O
poema não termina nunca… E as palavras não se completam, completas, cheias, a transbordar. Queria te
escrever cartas, não tenho conseguido. Mas farei um esforço e
acalentarei a rotina. Um beijo carinhoso. Um obrigada. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2023 – Torres, sem os balões.

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