de morrer

silencioso e dolorido, sem lágrima, o tempo de morrer. sem vontade de ir, no desanimo do que dói, sem memória. eu choro, distante, impotente, eu choro… na calada da noite, sem ruido, como se o sono interrompido se desfizesse em pedacinhos… o ritual inteiro, completo, vai doendo como se fosse faca no peito. assisto a morte passando pela janela. sempre pela janela o tempo caminha… eu vejo, não faço nada. parou o vento, ficou gelado o frio, já tão frio deste inverno, desta noite da insônia acabrunhada, inquieta: sem saber o porque este ir da cama para o teclado, do teclado para a cama. eu escuto, não grito, eu me despeço, e choro. não entendo nada de morrer, eu sinto, e eles se despedem silenciosos… ah! o abraço que nos abraçou! Elizabeth M. B. Mattos – 18 de julho de 2023 – duas horas da manhã, ou antes, ainda antes – ele se despediu em Torres

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