absurdo escrever / dizer isso, mas…
ocorreu-me escrever:
não se sente tanto saudade de uma pessoa, de um alguém, mas, na verdade, meu amigo está certo quando escreve: ninguém pensa em alguém tanto quanto nós mesmos nos pensamos…
concluo que a saudade do amor / amado / ou seja lá de quem for, do amor que sentimos daquela pessoa querida, lembrada, não é tanto ela mesma, a pessoa perdida mas a saudade que sentimos de nós mesmos naquele determinado período, infância, adolescência, juventude ou maturidade…
transformamos a experiência, vivência, em saudade, e nominamos / chamamos pelo nome de mãe, pai, irmão, marido, mulher, tio, tia…
mas
o que desaparece não é pessoa,
desaparece o tempo de ser criança, filho/a.
desaparece um amigo /amiga
Maria, ou José, Madalena, Isabel ou Matilde ou Catarina.
eu desapareço, eu sou outra / e o outro não faz mais parte daquela história – fica/vira lembrança boa, ou ruim.
uma saudade de Marcelo, de Paulo ou de Lúcia
Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2023 – Torres –
às vezes ,o Flávio volta, mas também o Alberto, pode ser o João Carlos. outras vezes é a Sonia Maria, a Lucila, ou a Ana Helena, a Luiza Maria. Aonde estão estas pessoas? Na memória de um tempo… o meu tempo com elas / a Eliza Beth ou a Beth Eliza.
Teria faltado meu nome? Ou, talvez, mais que os lembrados tenha realmente desaparecido na poeira de estrelas da nossa memória de jovens?