conexão

Iberê Camargo

Robert Musil

Leitura / espaço interno: pensamento e caminhada. Mãos entrelaçadas. Não resisti. Primeiro transcrevi a carta escrita naquele verão de trabalhar no Bazar Praiano / depois, voltei pra Robert Musil O Melro (coletânea de textos publicados em jornais e revistas) – neste descreve a mosca: agonia inteira. Percepção. Olhar. Descrever é pintar escrevendo. Agitar pincéis vem da luz. Das cores e das coisas todas que vemos na tela / quadro. Escrever, como explicar? Distraída ou atenta. Costuro / penso Iberê Camargo. O seu pequeno, importante, livro de contos. Estive com os manuscritos nas mãos. E lembro do desejo que ele tinha de passar para o papel a fácil / ou intensa segurança com que manejava os pincéis, os escuros e os claros, tempestuosos sentimentos da vida. Assim foi publicado em 1988 No andar do tempo. 9 contos e um esboço autobiográfico. Não sei se apressado / urgente ou… Ou sei lá. A vida com suas urgências estranguladoras. Robert Musil – 1913 envolvido com manuscritos e obra gigantesca escreve para revistas, jornais. Textos paralelos. Leio com avidez O papel mata-moscas, O rato, Pensão ‘Nunca mais’. Penso Iberê Camargo – O mosquito. Robert Musil – a mosca. Ambos escreveram um conto/texto O rato. O divertido seria lermos juntos. As conexões podiam ou não podiam acontecer. Ler e desfiar é como estar no carrossel, precisamente, no parque de diversões. Praia / leitura / sede e fome dentro dos livros. Queria estar ao teu lado, meu querido. Elizabeth M. B. Mattos

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