Do outro apartamento eu via o mar, do outro apartamento sentia o mar maresia. A voz vinha e ia, eu abria e fechava venezianas… A enceradeira tocava música. sim, o que já foi vivido não volta: o tempo empacota a sensação, e passa uma fita colorida. Tudo que eu possa querer agora está longe. Então, aquela vontade de voltar, voltar para Porto Alegre numa mágica de acolhida. Tentar outro trabalho. Cuidar da saúde. Acreditar na Volta / o permanente?
Dormi dormi e dormi com o som domingo pendurado: novos inquilinos movimentam o prédio. Depois o silêncio do calor. Faz muito calor. A lagoa é um espelho, mas eu tinha o mar. Sinto saudade da Ônix. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2025 – Torres
