podemos casar

nesta insônia de verão / parada e morna, ocorreu – me que deveria te pedir em casamento / claro que não posso. mais do que nunca estás casado, feliz, em casa, entre os teus num reencontro tardio e certo, ou melhor, pontual e permanente. sempre foste casado. desde menino casado – teus filhos crescidos. tua vida atropelada mas tão completamente tua que nada, nada, nem deixar de ter adoecido ou deixar de respirar parece ser possível. a minha saudade atropela o tempo, o tempo que nunca, em nenhum segundo, foi nosso. em qualquer possibilidade foi nosso, aliás, tu e eu somos dois desconhecidos descalços,  – depois nus, depois vestidos, depois tão sérios e sempre sorridentes a caminhar, dormir. o gosto das risadas e deste atropelo irônico que nos acorda. ou essa insônia amorosa e perdida, inquieta e abusiva. eu não sou eu, nem tu és tu. somos o que imaginamos ser: amantes amados. crianças de famílias com muitas crianças: geração espontânea. e deu / se fez existir / nós dois. hoje neste calor parado, parece perfeito amar e lambuzar as ideias. sem sol, sem terra, sem mar: nós eternos: litros de chá gelado e risadas. era isso que eu queria te dizer sobre te amar e do amor e te dar-te um beijo. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2025 – Torres

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