não tem ponto final. tem a intensidade do contínuo // o que eu esperava? não envelhecer? seguir amando, reencontrara e… amar um pouco mais? continuar a escutar música muito / bem alto, voltar ao francês, apreender inglês. sorrir e brindar como se tu estivesses sempre lá, aqui. abro a porta… tu me dás um beijo perdido / outro demorado /agora, ou no tempo de tantos anos?
…a querer o final da história de amor, a minha história fica. a calçada fica. o temporal fica. tu estás de costas… visão filosófica, inquietante. amontoei rejeições, espanei a dor, mas qualquer coisa incomoda… ah! estes cacos/pedaços de vida! pensei, suponho, acho que deveríamos usar a técnica de colar vidrinhos / como se chama isso? não os de igreja, cacos de vidro / coloridos ou não, misturados numa poeira que se transforme em massa, depois objeto. sim, este processo dos amores desfeitos deveriam ser colocados na prateira em forma de vaso, de luxo, de lembrança, caixa. // ia ficar bonito assim , enfileirado o passado: JCKCM Antônio JMKHJHJCL Alcibíades CMD Paulo / Flávio encantado, os meninos da rua, as meninas das calçadas, as braçadas na piscina de Petrópolis / a volta para rua Vitor Hugo, 229. ah! a história que quero contar / esta engasgada meninice florida, livre. juventude festejada: o tempo e a volta, minha amiga Sonia Maria! ah! as amigas que existem… eu tive preciosas e generosas amigas!
Forma delicada, intimista gesto / as palavras se recolhem num susto, ou se explicitam? dança misteriosa, rítmica, sai assim, enquanto balanço o corpo. memória suada, se interrompe a cada susto, flutua. a vida! este cotidiano sereno // a substância está dentro, e se agita criativa, mas tímida. paradoxal.
lento e morno este tempo… viver tem um gozo inexplicável! Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2026 – TORRES

