13 de maio de 2026 – quarta-feira – Torres
A gente repete, escreve, rele o escrito, apaga. Edita outra vez. Acrescenta. Meu querido, meu querido, presente estás neste caos. Ausente do tormento, das loucuras interiores, meu querido. Se te escrevo ou não ficou, como lhe explicar, ficou… ficou um vazio igual. Se responde ou não, não importa. Em algum lugar deste mundo desconhecido, o nosso lugar, estamos. “Se você fechar os olhos e for sortudo, de vez enquanto conseguirá ver suspenso na escuridão um lago informe de encantadoras cores claras; então você aperta bem os olhos e o lago começa a tomar forma e as cores se tornam tão vívidas que, apertando os olhos outra vez, elas parecem poder se incendiar. Mas imediatamente antes desse incêndio você vê a lagoa. Isso é o mais próximo que se pode chegar do mundo real, um momento glorioso; se pudesse haver dois momentos, você veria as ondas e ouviria o canto das sereias.” (p.107) J.M. Barrie PETER PAN
Esta coisa de não querer crescer, de querer estar sempre no colo do amor, nos braços de um querer bem pode ser eterno por dentro, no você de ser criança. Tenho tantos encontrões e tantas lacunas a transformar o hoje em passado picado! Estão a incendiar meus sonhos de amanhã. Sim, estupidamente (confesso) quero um amanhã do que o possível, não só do possível, mas quero um amanhã contínuo… Estou tão estupidamente assustada com o hoje que a minha memória se esfarrapa e o que fiz, ou escrevi, ou pensei se perde… de mim, em mim, na máquina, nos cadernos, não sei. Talvez o gelado da noite, o cinzento da manhã, uma destas esquisitices que a gente não domina. A gente (on) nós não dominamos. Agregamos este ‘a gente ‘disse, a gente fez tão francês! Esqueço o português, esqueço o francês, eu me debruço no inglês e não entendo nada, mas estou a tentar o japonês. Ah! Minhas esquesitices! Enfim, JMCLJCKCPCMSGFLGCMJD: quero dizer que sigo tão estupefata como antes / aonde estarão os benditos remédios curativos? Tardes alegres, noite estreladas, amanhecer, amanhecer sem escurecer, ou outras magias possíveis. As vassouras para que eu possa voar.
