sim meu querido: tenho uma saudade crônica. sei que o teu tempo, longe do meu tempo, nos teus afazeres te levam a produzir pessoa útil / melhor, melhor. eu te penso. e te penso tanto às vezesme afogo / mergulho fundo demais… existir ficou ser tu e eu, eu e tu. rogo que voltes logo. a rotina, o café da manhã demorado, as caminhadas, teu sorriso e teus silêncios (enormes silêncios) importam… estás a rir? sim, eu faço pequenas invenções, leio e releio o mesmo parágrafo… imagino tua aprovação, releio. anoto, ah! os livros que me deixaste a ler estão decorados errado, eu sei, dizia minha mãe que riscar um livro seria pecado, mas meu pai / a estudar, dar pareceres e vasculhar leis, anotava… e ambos riam / conversavam e conversavam / em português, . a linguagem do amor e das trocas pode ser outra um jarro com flores, uma cesta de laranjas e limões, nós de pinho…sim, inverno pede lareiras, brasas e chamas a conversarem. deu saudade do tempo, saudade boa, alegre que alimenta…Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2026 – Torres – dia de sol e luz, muita luz por aqui.
