história estória (in)história descabelado som de tambores

amontoado de palavras para dizer que viver, afinal, viver é ser colorido de energia. na escola fomos treinadas para ser perfeitas. comermos do melhor. reconhecermos o bom, jogar tênis, vôlei e correr. nunca abandonar o corpo. costurar e bordar também. servir a mesa. saber o lugar dos talheres e quantos pratos. fazer doces.

esta parafernália toda era necessária para viver. os homens apreendiam a manejar as armas, calçar e lustrar as botas e estarem limpos. ser espertos, saberem matemática química e física. desenvolverem os músculos. saberem inglês, e também francês, os da fronteira falavam espanhol. beijar.

eu gostava das bonecas, as que me eram designadas, caixas pequenas, paninhos para fazer de roupa. gostava muito de recortar revistas e fazia bonecas de papel. custei muito para apreender a ler, não era boa nas contas e tão distraída! jogada na grama, com os cães em volta, sempre, muitos cães no jardim – eu me imaginava tocando piano e escrevendo. Duas habilidades divinas. Podia ficar assim bastante, muito tempo. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres

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