fico indignada ao lembrar dos filhos amorosos que tivemos / e / depois de enorme e longo silêncio / bom tempo sem falar e tanta história estranha a nos rondar… teres sido feliz bastante com outra mulher (aliás ela estava junto)… enquanto escrevo fico pensando, tu não me achavas feliz? ou o quê? nunca soube fazer perguntas… enfim! soltaste, a queima roupa: tu amaste alguém? olhei estupefata… e bobamente, respondi, acho que amei o Flávio /// resposta certa no momento certo. como pude responder assim? de certo fui apaixonada pelo Tavares, fui mesmo, mas eu mesma encerrei a história num acesso de ciúmes que nunca admiti… com o Flávio, contigo, também com o Jorge, fui cancelando amados, o Marco, o Gianfranco…, não, Gianfranco terminou comigo. eu estava errada. será que nunca amei ninguém? nem o pai dos meus filhos? e se amei não me fiz enteder?
sei lá se as histórias devem ser retocadas… escritas, contadas, por quê? para quem? sou apaixonada pela vida / amo o amor / o tal sentimento de estrelas e encontros e pipocas e bolo doce, e pimenta… e estou sempre recomeçando, recomeçando a amar muito, contar outra vez, escrever, reler os diários, detalhar as fotos, perguntar coisas esquisitas para os filhos.
saber quem a ente é / como a gente sente que gosto nosso olhos podem ter… e mistério o gesto de abraçar esconde… Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2026 – Torres