palavras suscitam palavras

coisas de Merleau-Ponty

A linguagem jamais se ocupa senão de si mesma: tanto no monólogo interior como no diálogo não há “pensamentos”: trata-se de palavras suscitadas por palavras, e, na medida mesmo em que “pensamos” mais plenamente, as palavras preenchem tão exatamente nosso espírito que nele não deixam um canto vazio para pensamentos puros e para significações que não sejam de linguagem. O mistério é que, no momento mesmo em que a linguagem está assim obsedada por si própria, lhe é dado, como que por acréscimo, abrir-nos a uma significação. Dir-se-ia que é uma lei do espírito só encontrar o que não procurou. (p.147) Maurice Merleau-Ponty A PROSA DO MUNDO

coisas de achar sem procurar / estranho estar a cheirar os livros perdidos / encontrar o volume / esbarrar no lido, reencontrar… esta coisa das palavras… sim, a loucura de ‘puxar’ uma ideia, de escutar e responder, ou não responder mesmo escutando, ou distrair-se do significado, da palavra e olhar, olhar vendo e deixando de ver, isso acontece… o impressionismo seria um jeito derramado de olhar que os tornou tão poderosos? eles se desviaram do que era para chamar atenção / claro! estou exagerando… mas tudo isso é a magia, dos poemas, do sonoro no significado… pois é. tenho um amigo Paulo poeta e colorista / apaixonado… acho que o definiria / não, não vou definir nada… aliás / resvalo no tempo. desencontro encontrado. ah! complicado. Elizabeth M. B. Mattos / outubro, ainda, 2016 – TORRES

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