alegria /alegria pode ser infeliz?

alegria alegria alegria / o dom da vida, pois é /tem que ser dom doado com amor / a passarinhada grita que sim! se comunica / se comunicam, aos gritos, / numa conversa estridente // Eu? Eu estou aqui emburrada! Vai passar / Digo / explico pra mim mesma toda hora / vai passar /// vai passar! Tá demorando! / Projetos / se ficou algum / enrustido… sei lá // até o sono, tão amigo!

Meu querido: quero tuas cartas, quero estar contigo, Não chegas. Trem? Carro? Avião? Fico a pensar se vens caminhando, colhendo flores / teu caminho sempre foi florido / assim eu imagino. Quando te assustaste com o medo de perder a vida / pois é / te deram nova pátria e depois mil regalias: vida mansa. Quem diria? É mansa? Não sei. Acho que teus olhos azuis atraem, ou são verdes? Será que eu esqueci também os olhos? Não o olhar, não o olhar. Estávamos os dois arregalados no prazer de ser feliz! Agora sou eu a me estranhar pendurada na tua lembrança. Tinha beijo e abraço. Chegar e desaparecer. Presentes ausentes… pois é. Tinha a sopa, as frutas certas. Arroz. Ok! Hoje vou fazer arroz. Tinha saudade, uma nostalgia carregada de expectativa. Depois, releio teus bilhetes, algumas cartas. E sei que estás bens // tens te cuidado. Estares aí… Não aqui. Pois é. Tenho que me acostumar com a ideia de suspirar menos. Sigo teu conselho de pisar com cuidado. Olho pro dia, suspiro pra noite… Tudo como me dizes ser bom! Não pensar no passado. Ok / esta parte acho mais difícil / arrepio / não ter passado nem choramingo me parece tão /// tão Polyana sempre. Escrever. Escrever. Mesmo sem direção… Pois eu preciso escrever. Deveria ter começo meio e fim / mas sigo no meio. Te amo. Te gosto. Sinto saudade. De onde tirei o te amo? Deves estar a rir, mas não faças isso. Eu te amo. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2026 /Torres / será que estás em Torres?

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