Elizabeth Arden Ponds Nívea

Em que momento e por que passar / massagear com creme, o rosto, as pernas, os pés… Um bálsamo necessário, claro. Começo pelas mãos, amaciando o toque… Quando? No intervalo da leitura, na hora da sesta? Ao amanhecer, ou antes de dormir? Importante processo: o creme para amaciar o mundo. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro – 2023 – Torres

serenidade

ah! esta serenidade noturna que desapareceu… um pedaço aqui, outro ali, na boa lembrança doce. o entardecer, meu recolheminto imediato, necessidade de fechar as escotilhas, ou amarrar as velas ao mastro, serrar as venezianas, recolher as vontades para cochilar, e depois? o sono se acalma, o corpo se organiza, a sopa esfria enquanto conversamos. a noite, a noite chega, mansa… ou chegava acalentadora, sensual, assim como o céu escuro. ah! agora o sono não chega, nem o piano toca, nem falas comigo, nem organizo o sonho, apenas, não durmo e amanheço pesada, cansada e mal humorada. os pés gelados, o nariz fungando e sem chuva, sem a chuva! quero de volta a minha serenidade e a xícara de chá, e o biscoito, ou o bolo de laranja…, ou um copo de vinho. ah! danadas saudades! Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

judiação

Eu não gosto que peças, pedir vira logo judiação… E ninguém merece assim se espicaçar para pedir. Não importa para quem, pedir tem que ser ensolarado ou mesmo com chuva, mas natural, coisa de verão, necessária, sem destruir. Quando o pedir fica enxurada, melhor não ter, ou resolvo eu, devagar, no prazer alegre de te fazer alegre… Misterios de amor e necessários. Não é orgulho, nem altivez, mas, a felicidade natural, maior felicidade do que qualquer previsão… ginásticas de querer bem, aos poucos, meu querido, vais entender. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

pedalar é um dos prazeres deste ir e vir, e chegar, gosto de te ver indo

vergonha, depois

A natureza, pela fresta da janela, com prerrogativas… Vozes se misturam com a chuva. Conversas apressadas, passos ligeiros e determinados… E nos encolhemos nas dobras da vontade, nenhuma. É preciso reagir, soltar o riso encabulado, e te abraçar. Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

prerrogativa da liberdade

(quando a história e a forma informa na narrativa)

Esta forma de estar na vida privilegiava a liberdade. Consciência dos limites impostos, o não explicitado como permitido. Transparente obediência, lógica, auto suficiência. Ler escrever, seguindo o solfejo a entender / acompanhar o ritmo me fazia feliz

A casa estava distante e com ela as relações mais estreitas, os afetos ficavam emoldurados. As aulas aconteciam fáceis. Éramos todas, aparentemente, iguais. A confissão e o consolo seguiam a sombra dos monges / freiras. A vida religiosa imponente, misteriosa, segura. Atendíamos famílias que careciam do conforto da higiene, e da fé. A fé necessária no potencial de ser pessoa, Caminhávamos anônimos e felizes. Hoje, revejo a história. Estamos em patamares diferentes: dominadores, poderosos versus dominados, e humildes.

Como reconsiderar este mecanismo, mudar, fazer a roda girar no outro sentido?

Isabel me acorda. Aqui estou para ajudar meus netos que perderam o pai, ajudar minha filha que perdeu o marido. Alavanva, Fazer acontecer o campo das margaridas, revirar a horta, alimentar os cães, poder a cerca-viva. Estou aqui. E, a fazer, a pensar, a me construir. Não tenho o ritual, nem o silêncio, nem o convento. Tenho a vida perto do mar, dentro da rotina de sobreviver. Reapreender o não. Não posso expor nem exgiger. O meu olhar não é o limite…volto ao ritmo das buscas / da procura.

Encontros! Ah! Os encontros precisam ser no tempo certo, no limite do possível, na hora perfeita, na história de cada história. Elizabeth M.B. mattos – fevereiro de 2023 – Torres

P.S.

Muito calor, mar azul com verde, com espuma branca, horizonte e… Limpo na definição. Torres em mutação constante, a se erguer, com outras/novas torres. Pessoas transvertidas / divertidas, também elas, coloridas em alegria. Aproveitam o verão das férias. O que posso te contar, meu querido, estou de volta ao mundo… Margeando o sucesso, longe das conquistas, do prazer, e ou da felicidade mesmo. Felicidade como eu a compreendia / desejava, espreitava. a solitude consciente terminou. Repasso o tempo como se o pensamento me fizesse voltar. No entanto, não há futuro se eu mastigar, mastigar, ruminar este passado. O meu passado.

Hilma af Klint foi uma artista e mística sueca e pioneira do abstracionismo, cujas pinturas foram consideradas uma das primeiras obras abstratas conhecidas na história da arte ocidental. Uma parte considerável de sua obra antecede as primeiras composições puramente abstratas de Kandinsky e Mondrian.

Exposição HILMA af KLINT: mundos possíveis – março – julho Pinacoteca de São Paulo – 2018 (cartões na foto)

impaciente

Logo a sensação do completo, mas ainda incompleto. Impaciente, quieto. Por que não usufruir do prazer inteiro? Estou aos saltos – ou rápido demais. Criança. Quando criança ser grande, adolescer, criança outra vez… Agora, o tempo de pensar vai picado. Ou apenas tenho sono, ou descaso, ou cansaço ou será pressa? Ou medo? Ah! Tantos sentimentos misturados… Escrever me acalma, eu volto, ou descarrego aquela aflição, respiro. E. M. B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

Carnaval

(19 de fevereiro de 2023)

Carnaval! Ou alguma coisa parecida que signifique descontração / outra virada, outro Carnaval da / na (nunca sei ao certo, preposições, mudam tudo) minha vida, devagar! Com a mesma fantasia! Talvez seja isso, a mesma fantasia! E não posso fazer diferente de todos os dias, sem máscara, sou a mesma. Reconhecível! Esta coisa de pensar desconcerta / ou sempre foi desconcertante / demorado, arrastado: de lá pra cá, quase sem rumo, já no caminho… Não muda nada, aos poucos me descubro sempre a mesma, o mesmo! O mundo! O externo se agita, aliás, também se repete. Como será a terra toda desvendada. Os homens, os mesmos. Repetidos sentimentos. Atrapalhados. Exdrúxulas percepções, descabeladas (eu com meus cabelos presos por um grampo, isso já tem significado) e desarrumada pelo vento! Aquela boa sensação de transformar… Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

Conversei com as duas irmãs hoje. Bom chegar! Aperta o sentimento da irmandade enclausurada! Solto as amarras e as reservas!

explicar

Às vezes me pergunto por que as verdades elementares são as mais difíceis de entender. Se eu tivesse compreendido, então, que a primeira qualidade do amor é a força. Provavelmente, os fatos teriam outra forma: seriam diferentes. Para ser forte, contudo, a pessoa precisa, antes de mais nada, amar a si mesma; para amar a si mesma, precisa se conhecer em profundidade. Saber tudo de si, até o mais oculto, as coisas mais difíceis de se aceitar, as que consideramos proibidas de investigar… Ou quase tudo. Conhecer. Mas como levar adiante um processo desses quando a vida nos atropela com o seu alarido? Então, agora, eu me dou conta, o TEMPO está devorando o conhecimento que eu tenho de mim, e as palavras se sacodem com o vento, e eu não me permito ser objetiva. Não quero saber mais, nem muito, nem pouco. Quero apenas o AGORA. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2023 – Torres

igual te digo, repito

Nanquim – Glauco Rodrigues – 1954

que eu penso em ti, não preciso dizer, nem da chuvarada preciso contar (sabes que me agrada), nem que eu quero tua saúde completa, nem.., pois é, não encontrei motivo nenhum para escrever, mas eu te escrevo.

pensar em ti me faz bem. vou explodindo alegria no pensamento de te pensar. feliz por estar assim ‘amarrada’ na lembrança / memória esfarelada de te pensar…, eu sei. Um beijo Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro CARNAVAL com vhuva – Torres 2023

incêndio de agitação

Fervilha devagar um incêndio de agitação, e o tempo faz cócega, inquieta. Uuauuu, difícil abraçar este tudo e ser feliz. Mas a tal felicidade se surpreende/e me surprende. A chuva deste verão carnavalesco resolve se impôr com um frescor, uma nitidez serena. E eu acordo, tarde, é verdade, acordo de um sono de princesa (acho que elas adormecem também, sem ervilhas em baixo dos colchões) e se acordam encantadas com o gosto matutino de felicidade. Entro no meu cotidiano com a leveza boa de ser feliz. O feijão está a se fazer, o gosto do café perfuma até a alma, os espirros são respostas! Vou revirar o dia! Nossa caminhada foi na estiada, entre as chuvas pequenas…ah! este gosto de ser feliz engorda! Elizabeth M. B. Mattos -fevereiro de 2023 – Torres

Lá na beira da lagoa, um guarda-chuva azul:os dois sentados! Especial!