acordar, assim, no meio do caminho, assusta. isso quer dizer que ela dormiu no meio do caminho, ela, ssimplesmente, dormiu. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres

” Je n’ ai jamais été un rêveur. Ce qui semble rêve aux autres, plus crédules, me paraissait à moi aussi réel que le fromage au chat, malgré la cloche de verre. Pourtant la cloche existe.
La cloche se cassant, le chat en profite, même si ce sont ses maîtres qui la cassent et s’y coupent les mains.”(p.8) Raymond Radiguet Le diable au corps
intensidade se paga caro, até mesmo em um mundo frívolo. conversar pode estar em desuso, mas ainda é o principal…o acerto no ar.
aconchego de amigos. ternura do que chamamos/nominamos família = sentido mais amplo de agregar.
ah! escrever pode ser uma conversa silenciosa, e o/a outra voz se entrelaça. O prazer de estar no mundo, um brinde! Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres

quero te perguntar das cores do céu, ou como o vento soprou ontem. quero saber se estás feliz e se a vida te cuida e abraça. quero saber se bebes café vez que outra, ou se comes um pedaço de carne, com certeza apenas legumes e saudades?! não sei. pessoas especiais, únicas, vivem numa esfera multicolorida, quase transparente e obscura para os seres comuns. nunca saberei das cores, muito menos das nuances, soube do Camilo porque estava na televisão exibindo novo filme, arrasta a verdade, difícil verdade! bem, eu não sei como te encontrar, nem onde estás, ou se estás…
te conto que estou do jeito que sempre fui, velha, transparente, triste, e, cheia de alegrias súbitas (como teescrever), ou a sorrir, triste. paradoxal? não. minha natureza é assim mesmo, mais a rir: enfeitar e sorrir, e, inventar.
se me escreveres vou acordar. um beijo, um abraço, outro beijo e aquele silêncio bom, próprio dos que se amam…
depois, sabes, vou falar sem parar, sem respirar, como sempre Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres
P.S. seduzido por um sorriso
P.S. olhos
P.S. um prato de arroz macrobiótico
P.S. ou, o inucitado:
uma professorinha perdida.
Cruzes! Que história!


tem sempre uma coisa errada na coisa certa, uma verdade na mentira, uma luz no escuro, obviedades como estas, repetidas e pensadas do mesmo jeito / formato,
e, as drogas dos sentimentos intensos estão cheios de negações,
e o inverso: negamos, sapateamos, mas seguimos sendo a criança que fomos…
as marés vão e voltam, ora venta ora chove,obviedades…
e as pessoas não saem de dentro delas mesmas, uauuuu!
quando se imagina, pronto, agora vamos trocar ideias, desenvolver uma questão, encontrar a cor certa da parede certa, e rir, vamos rir de nós mesmos… não.
não consigo, eu implico, eu me irrito, não sei apenas ouvir, ouvir, ouvir, eu canso.
preciso me punir, recomeçar. Aquela coisa de Sísifo! Levar a peda até o alto, saber que ela vai rolar, e que terei que voltar a fazer! Viver tem destas coisas! Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2022 – Torres – ser mais leve, mais lúdica! céus! eu tento!

embalada no fazer doméstico: limpa, arruma, cozinha, brinda e ouve música, olha.
olha o tempo e se delicia, porque a soma ilumina, e, estrelas natalinas já estão a sacudir nos postes de luz
a lagoa se enfeita.
o vento fala minuano.
sol espiao, cinzento resmuga, e, nós a nos deliciarmos com o velho.
olhar espreguiça Elizabeeth M. B. Mattos – novembro de 2022 – Torres

asssim mesmo, novo

o gosto abençoado da beleza que sossega na ventania, pode?
quando eu organizo, falo, digo, reajusto, penso e voltei, gosto
a caminhada conversada





dobradinha alegre…
mutante expectativa, mudanças!
rotina com farofa de banana e feijão.
despedida da bargamota, da laranja,
as invernosas.
aceitar, esperar, janjar por aí e festejar!
uauuuuuu! sem inspiração, aceitação.
Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres
PORQUE
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
[…]
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre didividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
(p.133) Sophia de Mello Breyner Andersen [coral e outros poemas]