não são todas iguais, são cortadas, e sem falar, elas conversam, se entendem?
eu me atrapalho para escrever, a lógica foi passear, e ando concentrada nas sensações de querer resolver umas amorosidades desarrumadas e umas vozes esquisitas, algumas estão alinhavadas.
misturo tudo com envelhecer, não encontro doçura, mas encontro um azedo ríspido, e arredio, coisas definidas e cansadas, vontade de sair e comprar belez, trazer as vitrines para casa / substituir…
o cansaço não me deixa ordenar, limpar, listar, ouvir música, cantar, mas a passarinhada se esbalda em cantoria para mim, ah! faça sol ou faça chuva eles se amontoam e e se sacodem e conversam… sim, nos deveríamos o amontoar e festejar, dividir o pão, bebericar juntos, cavar os canteiros pra trazer flores… somos tão apenas do café e do chá. sem árvores, sem gramados, sem medo… que saudade eu tenho de umas coisas que não sei, filhos pequenos a me rodear, pressa, eu tinha pressa e fazia tanta coisa em pouco tempo… agora esta lentidão preguiçosa e sem vozes. Elizabeth M.B. Mattos – novebro de 2022 – Torres
se a beleza estivesse bem animada eu compraria um vestido novo, pintaria as unhas de vermelho, e comeria devagar as batatas cozidas temperadas com salsa, e as ameandoas assadas, ah! que delícia a carne rosada!
o sorriso do tempo, as gargalhadas do arvoredo, e a certeza desta ventania varrendo o que não presta/ o que não serve, e o sol a segurar…, a segurar… tão bom viver assim d e v a g a r. Arrastada pelo teu sonho, porque teu sonho é nebuloso e cheio de estrelas inexploradas, ah! te amar é muito bom! Elizabet M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres com luz.
onde tua imagem / ou o teu retrato /nas coisas que amo? onde a tua voz ou a tua presença / na voz deste dia? / aqui onde habito / há o sol apique / o mar descoberto / a noite redonda / o instante infinito (p.151)
Sophia de Mello Breyer Andresen [coral e outros poemas]
as pessoas se propõem a dizer coisas sérias / se pensam sérias, comprometidas, mas não são… fazem um jogo pesado, sério?, Apostam tantas coisas, mas, sabem que não querem chegar a lugar nenhum… e, o outro, com quem estão ‘comprometidas’ também sabem isso tudo. então é verdade? Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres
perseguir o amor amado, até o inventado…ah! porque a gente inventa mesmo, se agarra e pronto…num fio, e acredita que o outro vai segurar, faz caretas e piruetas, e dança… ele faz que sim, diz não, se esconde, depois manda flores
obrigada
é assim mesmo, então, se espias eu fico toda feliz do lado de cá…
e faço um pastel, vou comprar empadinhas e abro uma cerveja! uauuuu! ontem cortei os cabelos no espelho, vais rir! virei esta piada. Que me gostes! Um beijo. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres, foi aqui que eu ancorei – já sei que engordaste, menos mal, assim nem vais reparar que o vestido tem mil anos…
a literatura tem Júlia Lopes de Almeida! Machado de Assis, não…, e a gente fica aqui esperneado! é preciso muito, muito mais e tanto! ok. não precisa desistir, mas nada de espavonear, tá?! E.M.B.M. um amontoado de letras não quer dizer nada, ainda bem q se pode falar…
gente bonita faz diferença, desenho, tintas, vozes, música…sim, o piano, o violino, o canto, outra dimensão. escrever é pedreira! céus!
Que nem sabes desde quando em ti vivia (p.318) Sophia de Mello Breyaer Andresen [coral e outros poemas]
Não te afastes, não me deixes, não fales, apenas sejas o meu querido. Faça chover, faça trovejar, faça cair jasmins do céu… Saberei, meu querido, que me ouves, e, poderei dormir, um dia, dois ou três. Acordarei para acariciar teu sorriso, olhar deu cheiro e mergulhar inteira nos teus braços, metaformofoseada em beleza, caberei nas tuas mãos e deitarei contigo. Não te afastes, não me deixes! Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres
Todas as mágicas, de todas as fotos, esta é feitiço da ternura. Quero ficar, eu quero ficar, na caixa, no silêncio do passado, na pressa eu também fico, depois, um pouco mais no teu abraço, e, devagar, bem devagar, eu coloco o vestido de noiva e te visto na imaginação, e te faço rodopiar, faço rires e faço a luz acender a mágica… Tu és eu, eu sou tu, somos nós brincando em volta do tempo, em tempo….