“Sim, nossas lembranças têm se tornado pouco confiáveis, e não há nada mais inquietante do que não poder confiar nas lembranças e dispor apenas dessa memória branca e esfumaçada.” (p.61) Amilcar Bettega
não são todas iguais, são cortadas, e sem falar, elas conversam, se entendem?
eu me atrapalho para escrever, a lógica foi passear, e ando concentrada nas sensações de querer resolver umas amorosidades desarrumadas e umas vozes esquisitas, algumas estão alinhavadas.
misturo tudo com envelhecer, não encontro doçura, mas encontro um azedo ríspido, e arredio, coisas definidas e cansadas, vontade de sair e comprar belez, trazer as vitrines para casa / substituir…
o cansaço não me deixa ordenar, limpar, listar, ouvir música, cantar, mas a passarinhada se esbalda em cantoria para mim, ah! faça sol ou faça chuva eles se amontoam e e se sacodem e conversam… sim, nos deveríamos o amontoar e festejar, dividir o pão, bebericar juntos, cavar os canteiros pra trazer flores… somos tão apenas do café e do chá. sem árvores, sem gramados, sem medo… que saudade eu tenho de umas coisas que não sei, filhos pequenos a me rodear, pressa, eu tinha pressa e fazia tanta coisa em pouco tempo… agora esta lentidão preguiçosa e sem vozes. Elizabeth M.B. Mattos – novebro de 2022 – Torres
se a beleza estivesse bem animada eu compraria um vestido novo, pintaria as unhas de vermelho, e comeria devagar as batatas cozidas temperadas com salsa, e as ameandoas assadas, ah! que delícia a carne rosada!
o sorriso do tempo, as gargalhadas do arvoredo, e a certeza desta ventania varrendo o que não presta/ o que não serve, e o sol a segurar…, a segurar… tão bom viver assim d e v a g a r. Arrastada pelo teu sonho, porque teu sonho é nebuloso e cheio de estrelas inexploradas, ah! te amar é muito bom! Elizabet M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres com luz.
onde tua imagem / ou o teu retrato /nas coisas que amo? onde a tua voz ou a tua presença / na voz deste dia? / aqui onde habito / há o sol apique / o mar descoberto / a noite redonda / o instante infinito (p.151)
Sophia de Mello Breyer Andresen [coral e outros poemas]
as pessoas se propõem a dizer coisas sérias / se pensam sérias, comprometidas, mas não são… fazem um jogo pesado, sério?, Apostam tantas coisas, mas, sabem que não querem chegar a lugar nenhum… e, o outro, com quem estão ‘comprometidas’ também sabem isso tudo. então é verdade? Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2022 – Torres