Pois assim é que um novo amor enterra um velho amor. O enamoramento, um estado perfeito, completo, intenso da tal felicidade… A experiência, claro, deve ser simultânea, caso contrário ficamos a fantasiar o que não foi, lamentar o que poderia ter sido, e querer, até o fim, até o último momento, aquele enamoramento, aquele amor incompleto… Claro, sobrevivemos, claro, colocamos uma cor em cima de outra, tantas cores que voltamos ao nenhuma, ao preto, ao tudo junto…, o que faz / faria a tal diferença? A certeza destes sentimentos misturados numa sonata, numa melodia, no belo / no perfeito é / pode ser / este conhecimento brejeiro de conhecer as pedras sobrepostas para chegar na tal catedral. Tantas e tantas leituras / tantos e tantos entendimentos resultam neste movimento apaixonado. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2022 – Torres que venha o novo, não pode ser o velho, mas apenas o novo
Não fiz, deixei, negligente, deixei a vontade se perder. Deixei negligente a outra dizer / fazer /escrever e pavonear – se. Sempre saio do caminho. Abro a porta para que passe, deixo levar o pedaço, a imagem, assim, na facilidade de doar /deixar ir…
A religião amolece a alma, faz do corpo um estrupício. E, a alma deixa escorregar, uma entre outras, piedosas tolerâncias. Transparente subserviência. Esta educação religiosa tira a luta: não pecar / não fazer tão fácil! O perdão, a solução. Estagnar, deixar de ler, deixar de correr, deixar de fugir, deixar de desejar e comungar. É matar. Desfiar o rosário como compromisso. Estender o olhar. Deixar a dor ficar a cicatriz o pecado, o desejo.
Esquisito pecado maior, a religião! Doçura, mansidão!
Então, o que deverias fazer? Doar… Claro! Claro, Elizabeth, existem outras formas mais ativas, mais fortes, mais inteligentes que desabrocharão coradas, sentarão no trono, e outra vez. Outra vez, amanhã. E se desprenderão do teu projeto, não te pertencerá mais apenas o texto. Será gosto, o amigo também… reconsiderar. Elizabeth M.B. Mattos / outubro de 2022 – Torres- mas poderia ser prai da Cal, Furnas, Canto da Lagoa / lugar nenhum da Vitor Hugo 229 em Petrópoles, ou Montevidéo, por que não Fazenda Santa Branca onde eu não existia, mas era?
em, com, por, sempre o nome amizade, a nossa, a explicação: redundante (eu sou). Repito / explico / espero, e te vejo
ele nunca ficou / esteve sempre indo / voltando / esquecendo / viajando…
retalhados sentimentos,
eu a costurar, remendar, dos retalhos coloridos : vestido de baile, camisola de dormir, camisa de verão a esperar… Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2022 – Torres – cinzento, cinzento, cinzento
se o frio encobre alma, pensamento, congela por dentro: viajo, locomovo-me, desordem. conversa nebulosa. tu voltas. olha! escuta o nevoeiro…
segue passado passando: estórias imprecisas enrolada. saio de um resfriado, gripe, indisposição, ressucito a vontade, devagar, muito no vagar mergulhada. eu sigo a te pensar. Na fantasia de muitos, nenhuma certeza, flutuam dúvidas: decepcionarei? E teu avião sinaliza na minha janela, chegavas…ah! tu sempre estás a chegar! Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2022 – buganvíleas florescendo, estupendas, no meu jardim…